Déficit primário do Governo Central
O Governo Central registrou déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto Rafael MARTINS / AFP

O Governo Central registrou déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto, informou nesta terça-feira (29) o Tesouro Nacional. O resultado é melhor que o de agosto de 2025, quando o saldo negativo foi de R$ 15,5 bilhões, e menor que o déficit de R$ 16 bilhões projetado pelo mercado. O Jornal do Comércio cita R$ 15,6 bilhões para agosto do ano passado. Nos oito primeiros meses de 2026, porém, o rombo soma R$ 94,9 bilhões, acima dos R$ 85,9 bilhões do mesmo período de 2025.

O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas, sem contar o pagamento de juros da dívida pública, e reúne Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social. As informações constam do Relatório do Tesouro Nacional (RTN).

Como ficaram as contas no mês

Tesouro e Banco Central, em conjunto, tiveram superávit de R$ 5 bilhões, enquanto a Previdência Social registrou déficit de R$ 18,6 bilhões. Em valores corrigidos pela inflação, a receita líquida cresceu 3,5% sobre agosto de 2025, e as despesas, 1,9%. A receita total aumentou R$ 13,1 bilhões (5,7%) no mês, segundo o Metrópoles.

Na série corrigida pela inflação, foi o melhor resultado para um mês de agosto desde 2021, quando o déficit foi de R$ 11,8 bilhões, de acordo com o Jornal do Comércio. Em julho, as contas haviam fechado com superávit de R$ 10,8 bilhões.

O que impulsionou a arrecadação

Segundo o Tesouro, as receitas administradas pela Receita Federal cresceram 5,6% acima da inflação, com destaque para Cofins, Imposto de Importação e IPI. A arrecadação líquida da Previdência subiu 6,3%, favorecida pelo crescimento real de 2,9% da massa salarial, por maiores recolhimentos do Simples Nacional e pela reoneração gradual da folha de pagamentos. As receitas de recursos naturais também contribuíram, com a comercialização de petróleo e gás natural pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).

Despesas sob pressão

Do lado dos gastos, a principal pressão veio de R$ 4,9 bilhões repassados ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que não existiam em agosto do ano passado. Também subiram os benefícios previdenciários (R$ 2,7 bilhões a mais), o abono salarial e o seguro-desemprego (R$ 2,4 bilhões) e os créditos extraordinários para reduzir os impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio (R$ 1,3 bilhão).

Em sentido contrário, as despesas discricionárias recuaram R$ 5,6 bilhões, dos quais R$ 2,9 bilhões na saúde.

Acumulado e meta fiscal

No acumulado em 12 meses até agosto, o déficit primário soma R$ 68,7 bilhões, o equivalente a 0,53% do PIB, conforme o Jornal do Comércio. O Metrópoles informa que, de janeiro a agosto, o Tesouro teve superávit de R$ 182,8 bilhões, enquanto Previdência (R$ 277 bilhões) e Banco Central (R$ 684 milhões) tiveram déficit. A meta fiscal do governo para 2026 é um superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34 bilhões, segundo a mesma publicação.