Comércio Brazil
Porto de Santos, estado de São Paulo, Brasil. NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images

A balança comercial brasileira segue em ritmo forte em 2026. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país registrou superávit de US$ 2,399 bilhões na quarta semana de setembro. Os dados foram divulgados na segunda-feira, 28. O resultado veio de exportações de US$ 8,809 bilhões e importações de US$ 6,41 bilhões.

Resultado de setembro

Com esse desempenho, o saldo positivo do mês chegou a US$ 6,452 bilhões. As exportações acumuladas somaram US$ 30,488 bilhões, e as importações, US$ 24,036 bilhões. Até a quarta semana, as vendas ao exterior cresceram 22,2% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as compras externas avançaram 7,4%.

Entre os setores exportadores, a indústria extrativa teve o maior avanço, de 52,2%, com US$ 8,41 bilhões. A indústria de transformação cresceu 13,8%, para US$ 15,62 bilhões, e a agropecuária, 12,8%, para US$ 6,17 bilhões.

Nas importações, a indústria de transformação respondeu pela maior parte do valor, com US$ 22,37 bilhões (alta de 6,8%). A indústria extrativa importou US$ 1,07 bilhão (16,5% a mais) e a agropecuária, US$ 45 milhões (15,7% a mais).

Acumulado do ano

De janeiro até a quarta semana de setembro, o superávit soma US$ 61,77 bilhões. O valor representa alta de 36,3% frente aos US$ 44,972 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.

Projeção para o ano

O MDIC estima que o superávit comercial alcance US$ 90 bilhões em 2026, uma alta de 32,3% sobre o resultado de 2025. A previsão parte de exportações de US$ 394,4 bilhões e importações de US$ 304,4 bilhões. Se a projeção se confirmar, o saldo comercial continuará sendo o principal amortecedor das contas externas do país.

Um contraponto nas contas externas

O superávit de bens convive com déficits em outras rubricas. Em agosto, os dados do Banco Central mostraram que a balança comercial teve saldo positivo de US$ 6,622 bilhões. Ainda assim, a conta corrente ficou negativa em US$ 5,055 bilhões, por causa dos déficits em serviços e em renda primária. Ou seja, o bom desempenho do comércio de mercadorias não elimina a dependência de capital externo para fechar o balanço de pagamentos.

Nas próximas semanas, os dados da Secex indicarão se o ritmo de exportações se mantém até o fim do trimestre. O resultado de setembro completo também será um teste para a meta de US$ 90 bilhões.