Unidade de Promissão também foi suspensa pelas autoridades chinesas  •
Unidade de Promissão também foi suspensa pelas autoridades chinesas Wenderson Araujo/CNA

A China suspendeu as importações de carne bovina provenientes de uma unidade da MBRF localizada em Promissão, no interior de São Paulo. A medida entrou em vigor em 22 de outubro de 2026 e foi registrada na lista de estabelecimentos estrangeiros autorizados a exportar produtos de origem animal para o mercado chinês.

A suspensão foi determinada pela Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) e atinge a planta identificada pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) sob o número 2543. Até o momento, as autoridades chinesas não divulgaram o motivo da decisão nem estabeleceram um prazo para o encerramento da restrição.9

A medida impede temporariamente que a unidade realize novos embarques de carne bovina destinados à China, um dos principais mercados internacionais para a proteína produzida no Brasil. A restrição pode exigir ajustes na programação comercial da empresa e no direcionamento de parte da produção para outros compradores.

Segundo informações divulgadas sobre o caso, o registro do estabelecimento permanece válido até 2028. Isso, porém, não significa que a planta possa continuar exportando para o mercado chinês durante a suspensão. A retomada dependerá de uma nova decisão das autoridades responsáveis pela autorização das importações.

A MBRF ainda não havia apresentado um posicionamento público sobre a medida até a publicação da notícia que revelou o caso. Também não foram divulgados detalhes sobre eventuais cargas afetadas, os volumes de exportação envolvidos ou os impactos financeiros específicos para a unidade de Promissão.

A suspensão ocorre em um momento importante para o comércio brasileiro de carne bovina. Em setembro, uma missão de autoridades sanitárias chinesas esteve no Brasil para inspecionar frigoríficos, laboratórios e propriedades rurais. A agenda incluiu 17 unidades industriais dos setores de carne bovina, suína e de aves, entre elas a planta da MBRF em Promissão.

A avaliação teve como objetivo examinar os controles sanitários brasileiros e analisar tanto estabelecimentos que buscam autorização para exportar quanto unidades que tiveram suas habilitações suspensas. Os resultados das inspeções podem contribuir para futuras decisões sobre a liberação de plantas, mas a retomada não ocorre automaticamente.

O episódio também se insere em um cenário de maior rigor sanitário nas relações comerciais entre os dois países. Ao longo de 2026, a China suspendeu temporariamente outras unidades brasileiras após identificar problemas relacionados a resíduos de substâncias em cargas de carne bovina. Cada caso, entretanto, possui circunstâncias próprias, e não há confirmação de que a suspensão da unidade de Promissão tenha a mesma causa.

Além das exigências sanitárias, os exportadores brasileiros enfrentam mudanças nas condições de acesso ao mercado chinês, incluindo limites tarifários para a carne bovina. Essas restrições podem afetar o ritmo dos embarques e aumentar a importância da diversificação dos destinos comerciais.

A China continua sendo um comprador estratégico para a pecuária brasileira. Por isso, a suspensão de uma unidade específica é acompanhada pelo setor, embora não represente, por si só, um embargo à carne bovina produzida em todo o Brasil.

O principal ponto de atenção agora é a divulgação dos motivos da decisão e das condições necessárias para restabelecer as exportações da planta de Promissão. Até que haja esclarecimentos oficiais, permanecem indefinidos o prazo da restrição e seus efeitos sobre as operações da empresa.