Raízen busca reforçar caixa com emissão bilionária de novas ações
Operação prevê emissão de novas ações a R$ 0,25 e integra o plano de recuperação extrajudicial da companhia, ainda sujeito a aprovações societárias.

A Raízen anunciou uma proposta de aumento de capital de pelo menos R$ 3,5 bilhões, como parte das medidas destinadas a reorganizar sua situação financeira e avançar na execução de seu plano de recuperação extrajudicial. A operação prevê a emissão de novas ações e representa uma etapa importante na tentativa de fortalecer a estrutura de capital da companhia, que enfrenta elevado endividamento e pressão sobre suas finanças.
Divulgada em 21 de outubro de 2026, a proposta estabelece a emissão mínima de 14 bilhões de ações, ao preço de R$ 0,25 por papel. A operação poderá envolver ações ordinárias e ações preferenciais de diferentes classes, conforme a estrutura societária prevista no plano de reestruturação. As novas ações terão direito a dividendos, juros sobre capital próprio e outros proventos distribuídos pela empresa, nos termos estabelecidos para a operação.
O aumento de capital está vinculado ao processo de recuperação extrajudicial da Raízen, mecanismo utilizado para renegociar dívidas com credores sem recorrer ao procedimento tradicional de recuperação judicial. O plano prevê a reorganização de aproximadamente R$ 61,4 bilhões em obrigações financeiras, combinando a conversão de parte das dívidas em participação acionária e a renegociação dos valores restantes por meio de novos instrumentos de crédito.
A Shell, uma das controladoras da companhia, comprometeu-se a aportar R$ 3,5 bilhões. Também existe a possibilidade de uma contribuição adicional de até R$ 500 milhões vinculada à Aguassanta Participações, ligada ao empresário Rubens Ometto. A efetivação da operação depende do cumprimento das condições estabelecidas no plano e das aprovações societárias necessárias.
A proposta ocorre em um contexto de dificuldades financeiras acumuladas pela empresa, que atua nos segmentos de produção de açúcar, etanol, bioenergia e distribuição de combustíveis. Investimentos elevados, custos financeiros e desafios operacionais contribuíram para ampliar a pressão sobre o balanço da companhia. A reestruturação busca adequar o endividamento à capacidade de geração de caixa dos negócios e criar condições para a continuidade das operações.
Além da capitalização, o plano inclui mudanças na governança corporativa, na estrutura de ações e na organização dos negócios. Entre as medidas previstas está a separação das atividades de produção de açúcar, etanol e bioenergia das operações de distribuição de combustíveis. A intenção é estabelecer estruturas empresariais mais independentes, com dívidas e recursos financeiros ajustados à capacidade de cada unidade.
Para os acionistas atuais, a emissão de novos papéis exige atenção. O aumento do número de ações pode reduzir proporcionalmente a participação de investidores que não acompanharem a operação, fenômeno conhecido como diluição acionária. Por outro lado, a entrada de recursos pode contribuir para reduzir os riscos financeiros e apoiar a execução do plano de recuperação.
O cronograma divulgado prevê assembleias de acionistas em 30 de outubro e uma reunião do conselho de administração em 5 de novembro para deliberar sobre a capitalização. Caso as etapas sejam concluídas conforme o calendário indicativo, o período para exercício do direito de preferência deverá ocorrer de 6 de novembro a 7 de dezembro, com homologação prevista para dezembro.
A operação ainda depende das aprovações e condições aplicáveis. Seu resultado será relevante para avaliar a capacidade da Raízen de estabilizar as finanças, recuperar a confiança dos investidores e manter sua posição nos setores de energia e combustíveis.

