iFood destinará mais de R$ 2 bilhões à tecnologia
iFood destinará mais de R$ 2 bilhões à tecnologia em plano de R$ 24 bilhões no Brasil IBTimes Brasil

Plano representa aumento de 41% em relação ao ciclo anterior e inclui inteligência artificial generativa própria, expansão para novas categorias de varejo e crescimento dos serviços financeiros da empresa.

O iFood anunciou um investimento de R$ 24 bilhões no Brasil até março de 2027, valor 41% superior aos R$ 17 bilhões previstos no ciclo anterior. Apresentado em 16 de setembro, durante o evento iFood Move 2026, o plano inclui mais de R$ 2 bilhões para tecnologia e inovação, com destaque para o desenvolvimento de inteligência artificial generativa voltada ao comércio digital e à personalização de pedidos.

O investimento está distribuído por diferentes áreas do negócio. Além de fortalecer a operação de restaurantes parceiros, a companhia pretende ampliar sua presença em supermercados, farmácias, lojas e pet shops, desenvolver soluções que conectem compras on-line e operações físicas e expandir o iFood Pago, sua unidade de serviços financeiros. A estratégia busca ampliar as atividades da empresa para além da entrega de refeições.

IA generativa no centro da estratégia tecnológica

Uma parte dos recursos será destinada ao desenvolvimento de ferramentas próprias de inteligência artificial. Entre elas está o Large Commerce Model (LCM), modelo generativo criado pelo iFood em parceria com a Prosus, grupo que controla a empresa.

A tecnologia foi concebida para aplicações de comércio eletrônico, como compreender preferências dos consumidores, personalizar recomendações e apoiar a jornada de compra. Em vez de funcionar como um modelo genérico de conversação, o LCM é direcionado a tarefas específicas do comércio e do delivery.

Segundo informações divulgadas pelo próprio iFood em março de 2026, o LCM contribuiu para a realização de 12 milhões de pedidos em fevereiro daquele ano. A empresa também informou ter registrado 3 bilhões de interações com inteligência artificial generativa em 2026 até a divulgação do balanço. Esses números são indicadores apresentados pela companhia e não constituem, isoladamente, uma avaliação independente dos ganhos financeiros ou operacionais proporcionados pela tecnologia.

O pacote de tecnologia também contempla a evolução de agentes de inteligência artificial e ferramentas para restaurantes. A expectativa da empresa é usar esses sistemas para aprimorar a experiência de compra e apoiar os estabelecimentos parceiros em suas operações.

Expansão para além das refeições

A diversificação é outro eixo do plano. O iFood vem ampliando a oferta de produtos e serviços em categorias como mercados, farmácias e pet shops, além de desenvolver soluções logísticas e financeiras para os negócios conectados à plataforma.

Em entrevista à Reuters, o presidente-executivo Diego Barreto afirmou que a empresa espera que atividades fora da entrega de refeições representem uma parcela crescente de seus resultados. Segundo ele, no fim do ano fiscal em curso, aproximadamente 40% das receitas e dos resultados poderiam vir de negócios diferentes do delivery tradicional de restaurantes. Trata-se de uma projeção da companhia, não de um resultado já consolidado.

O movimento ocorre em um mercado que recebe novos concorrentes, entre eles 99Food e Keeta, que também buscam ampliar sua participação no delivery brasileiro. A empresa afirma que pretende sustentar sua expansão com tecnologia, novas categorias de consumo e serviços adicionais para consumidores e estabelecimentos parceiros.

O valor anunciado corresponde ao investimento previsto para o ano fiscal de abril de 2026 a março de 2027. Não se trata de um aporte único em uma data específica, nem de um montante destinado exclusivamente à inteligência artificial: a maior parte do plano abrange a operação e a expansão de diferentes áreas de negócio.

A parcela superior a R$ 2 bilhões reservada para tecnologia e inovação equivale a pouco mais de 8% do total anunciado, considerando o limite mínimo divulgado pela empresa. Os recursos restantes se distribuem pelas demais frentes de expansão, embora as fontes consultadas não apresentem uma divisão completa dos R$ 24 bilhões por categoria.

O plano sinaliza que o iFood pretende combinar a escala de sua operação de delivery com novas fontes de receita e tecnologia desenvolvida para o comércio digital. O efeito efetivo dos investimentos dependerá da execução dos projetos, da adesão de consumidores e parceiros e da capacidade de transformar a expansão em resultados financeiros.