Eneva encerra operações com carvão e amplia controle sobre projeto de gás no Ceará
Usina no Maranhão foi transferida para a Diamante por meio de uma permuta de participações, com pagamento de R$ 365,3 milhões e possível valor adicional.

A Eneva concluiu, em 21 de outubro de 2026, a venda da usina termelétrica Porto do Itaqui, localizada em São Luís, no Maranhão, para a Diamante Geração de Energia. A transação marca a saída definitiva da companhia do segmento de geração de eletricidade a partir de carvão mineral e reforça sua estratégia de concentrar investimentos em gás natural e infraestrutura energética.
Segundo fato relevante divulgado pela Eneva à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a conclusão do negócio ocorreu por meio de uma permuta de participações societárias, prevista em contrato firmado em setembro. Com a operação, a Diamante passou a deter 100% das ações da Itaqui Geração de Energia, empresa responsável pela usina maranhense.
Em contrapartida, a Eneva assumiu os 50% restantes da Porto do Pecém Transportadora de Minérios (PPTM), passando a controlar integralmente a companhia. A empresa atua na infraestrutura de transporte de carvão e outros granéis no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, e terá papel na estruturação de projetos relacionados ao terminal de importação, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito (GNL).
Além da troca de participações, a Diamante pagou à Eneva R$ 365,3 milhões em dinheiro, valor atualizado e ajustado conforme as condições contratuais. O acordo também prevê um pagamento adicional de até R$ 467 milhões, condicionado à eventual antecipação do início do fornecimento de potência contratado para a termelétrica Porto do Itaqui no leilão de reserva de capacidade de 2026.
A usina possui capacidade instalada de 360 megawatts (MW) e desempenha papel no fornecimento de energia ao sistema elétrico brasileiro. Em 2026, o empreendimento conquistou um contrato de reserva de capacidade com duração de dez anos, com início previsto para agosto de 2031. Esse acordo amplia a perspectiva de continuidade da operação da unidade no longo prazo.
Para a Diamante, a aquisição fortalece sua presença na geração termelétrica a carvão. A empresa já possui ativos relevantes nesse segmento, incluindo o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, e a usina Energia Pecém, no Ceará. A incorporação de Itaqui amplia seu portfólio e reúne ativos com características operacionais semelhantes.
Para a Eneva, a operação representa uma mudança estratégica. A companhia vem priorizando a integração entre produção de gás natural, geração termelétrica e infraestrutura de GNL. O controle integral da PPTM pode facilitar o desenvolvimento do Hub Ceará, projeto que reúne iniciativas de infraestrutura e geração de energia na região portuária do Pecém.
A conclusão da venda de Itaqui também dá continuidade ao processo de desinvestimento em ativos a carvão iniciado com a alienação da termelétrica Porto do Pecém II, concluída em agosto de 2026. Com as duas operações, a Eneva encerra sua participação na geração baseada nesse combustível.
A reorganização ocorre em um contexto de transformação do setor elétrico brasileiro, que busca conciliar segurança no abastecimento, expansão da infraestrutura e redução das emissões. A estratégia da Eneva aposta no gás natural como fonte capaz de oferecer flexibilidade ao sistema, especialmente em períodos de menor geração hidrelétrica ou de fontes renováveis variáveis.

