Setor empresarial brasileiro intensifica articulação em Washington para ampliar diálogo comercial com os EUA
Mobilização reúne setores como indústria, agronegócio, café e carnes para defender exportações e discutir parcerias em energia, tecnologia e minerais críticos.

Empresários brasileiros intensificaram as articulações em Washington, capital dos Estados Unidos, para estabelecer canais de diálogo com integrantes do governo de Donald Trump, parlamentares e representantes do setor privado norte-americano. A iniciativa busca defender os interesses comerciais do Brasil, reduzir barreiras às exportações e ampliar as oportunidades de cooperação econômica entre as duas maiores economias das Américas.
A mobilização reúne representantes de diferentes segmentos produtivos, incluindo indústria, agronegócio, café, madeira, têxtil, carnes e equipamentos. A estratégia consiste em apresentar argumentos econômicos sobre os efeitos das tarifas comerciais e demonstrar como a manutenção do intercâmbio entre os dois países pode beneficiar empresas e consumidores de ambos os lados.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) desempenha um papel central na articulação empresarial. Em setembro de 2025, a entidade coordenou uma missão que reuniu mais de uma centena de empresários e representantes de organizações setoriais em Washington. A agenda incluiu contatos com autoridades norte-americanas, encontros com lideranças empresariais e participação em discussões relacionadas às investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos.
Um dos principais objetivos da iniciativa era contestar as sobretaxas de até 50% aplicadas a determinados produtos brasileiros e buscar exceções que reduzissem os impactos sobre as exportações. Os representantes empresariais também procuraram apresentar propostas de cooperação em áreas consideradas estratégicas para os dois países.
Entre as possibilidades discutidas estavam parcerias para produção de combustíveis sustentáveis de aviação, desenvolvimento do setor de etanol, instalação de centros de processamento de dados no Brasil e exploração de minerais críticos. A proposta era demonstrar que a relação econômica bilateral não se limita à compra e venda de mercadorias, mas também envolve investimentos, tecnologia e geração de empregos.
A atuação empresarial ocorre em paralelo aos esforços diplomáticos do governo brasileiro. As organizações do setor privado procuram estabelecer contatos diretos com interlocutores norte-americanos para ampliar a compreensão sobre os interesses dos exportadores e contribuir para a construção de soluções negociadas.
O comércio bilateral possui importância significativa para os dois países. Os Estados Unidos são um dos principais destinos das exportações brasileiras, que incluem produtos industriais, aeronaves, aço, café, celulose e diferentes itens agropecuários. Ao mesmo tempo, empresas norte-americanas mantêm investimentos e operações no Brasil em áreas como energia, tecnologia, indústria e serviços.
Em 30 de setembro de 2026, os governos brasileiro e norte-americano anunciaram a criação de um grupo de trabalho específico para discutir tarifas e outras questões comerciais. A decisão foi tomada após uma reunião entre representantes dos dois países em Milwaukee, durante encontros ministeriais do G20. Washington ficou responsável por encaminhar uma proposta para definir o escopo das negociações.
A criação desse mecanismo representa uma etapa institucional do diálogo comercial e oferece um canal para tratar dos obstáculos que afetam as empresas dos dois mercados.
Nesse contexto, a mobilização empresarial continua relevante para apresentar demandas setoriais e identificar oportunidades de entendimento. O avanço das negociações dependerá da disposição dos governos para conciliar interesses, avaliar os efeitos das medidas comerciais e construir soluções que favoreçam a previsibilidade econômica e a continuidade das relações entre Brasil e Estados Unidos.

