Energia eólica
Energia eólica • Foto: Laurel and Michael Evans / Unsplash Laurel and Michael Evans / Unsplash

A multinacional norueguesa Hydro abriu um processo de concorrência para adquirir uma participação em um parque eólico no Brasil e contratar o fornecimento de aproximadamente 120 megawatts-médios (MW médios) de energia elétrica. A iniciativa tem como objetivo atender à crescente demanda energética da refinaria de alumina Alunorte, localizada em Barcarena, no Pará, em meio ao avanço do programa de eletrificação de suas caldeiras industriais.

A previsão é que o fornecimento de energia comece em 2029. A contratação deverá seguir o modelo de autoprodução, no qual a empresa consumidora adquire uma participação societária no empreendimento gerador e utiliza parte da energia produzida para abastecer suas próprias operações.

Segundo informações divulgadas em 13 de outubro de 2026, a Hydro já iniciou conversas com importantes empresas do setor de geração eólica. A estrutura em avaliação prevê a aquisição de aproximadamente 30% do capital da companhia responsável pelo parque selecionado. A negociação também deverá envolver um contrato de compra de energia de longo prazo, conhecido pela sigla PPA, em inglês.

A operação está relacionada à estratégia de expansão da Hydro Rein, braço de energia renovável do grupo. A empresa tem como acionistas a própria Hydro, com participação de 50,1%, e a gestora australiana Macquarie Asset Management, com os outros 49,9%.

O modelo de autoprodução pode proporcionar maior previsibilidade dos custos de eletricidade e reduzir determinadas despesas relacionadas aos encargos setoriais, conforme as regras aplicáveis. Entretanto, a redução desses encargos para consumidores enquadrados no regime também gera discussões sobre a distribuição dos custos do sistema elétrico, uma vez que parte das despesas pode ficar concentrada nos demais consumidores.

A necessidade de ampliar o fornecimento está ligada à transformação da matriz energética da Alunorte. A refinaria utiliza grandes volumes de energia para produzir alumina, matéria-prima essencial à fabricação de alumínio. Seu consumo atual supera 800 MW médios, e a demanda poderá aumentar à medida que outras caldeiras forem convertidas para funcionar com eletricidade.

Em janeiro de 2025, a companhia anunciou o início da operação de duas novas caldeiras elétricas, que se somaram à primeira unidade instalada em 2022. Os equipamentos substituem caldeiras que utilizavam carvão para gerar vapor industrial.

O projeto das duas novas unidades recebeu investimento de R$ 318 milhões. De acordo com a empresa, as três caldeiras elétricas, em conjunto, têm potencial para reduzir as emissões de dióxido de carbono em até 550 mil toneladas por ano. A iniciativa integra o plano de descarbonização da refinaria, que busca reduzir significativamente as emissões de suas operações até 2030.

A Alunorte já mantém contratos de fornecimento de energia renovável com a usina solar de Mendubim, no Rio Grande do Norte, e o complexo eólico Ventos de São Zacarias, situado na divisa entre Pernambuco e Piauí. A nova concorrência representa mais uma etapa da estratégia para assegurar eletricidade de longo prazo e ampliar a substituição de combustíveis fósseis nos processos industriais.

A contratação, caso seja concluída, poderá fortalecer a integração entre geração renovável e consumo industrial no Brasil. O resultado da concorrência, a identidade do parque escolhido e os valores envolvidos na aquisição ainda não foram divulgados publicamente.