Dados do Caged mostram saldo positivo em todos os cinco setores e em todas as regiões; educação lidera contratações
José Paulo Lacerda/CNI/Direitos reservados

Brasília, O Brasil abriu 165.827 postos de trabalho com carteira assinada em agosto, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgado nesta terça-feira (29). O indicador mede a diferença entre contratações e demissões. No mês, foram 2,29 milhões de admissões e 2,12 milhões de desligamentos.

Alta na comparação anual

O saldo é 7,2% maior que o de agosto do ano passado, quando foram criados 154.683 postos, nos dados com ajuste, que consideram declarações entregues em atraso pelos empregadores. O resultado também representa uma recuperação em relação a julho, mês em que o país registrou 55,9 mil vagas formais. O desempenho ocorre em um cenário de juros altos e desaceleração da economia.

Apesar da melhora mensal, o quadro do ano é menos favorável. De janeiro a agosto, o país criou 1,13 milhão de vagas, mas o Caged registra queda de 25,2% no acumulado de vagas formais na comparação com o mesmo período de 2025. Além disso, entre os meses de agosto desde 2020, este é o segundo resultado mais baixo da série, superando apenas o de 2025. A mudança na metodologia do Caged impede comparações com anos anteriores a 2020.

Todos os setores no azul

Na divisão por ramos de atividade, todos os cinco setores pesquisados criaram empregos formais em agosto. A agropecuária, tradicionalmente fraca no mês por causa do início do plantio, também teve saldo positivo.

Nos serviços, o destaque foi a educação, com 25.416 postos. O segmento de transporte, armazenagem e correio abriu 16.819 vagas, enquanto as obras de infraestrutura geraram 7.396 empregos. Todas as cinco regiões do país também registraram abertura de vagas.

Salários e estoque de trabalhadores

O salário médio real de admissão foi de R$ 2.410,74 em agosto. O valor representa queda de R$ 0,74 (-0,03%) em relação a julho, quando estava em R$ 2.411,48, e alta de R$ 24,31 (+1,02%) na comparação com agosto de 2025, quando somava R$ 2.386,43.

Com o saldo positivo, o número de trabalhadores com carteira assinada encerrou o mês em 48.244.696. O total é 1% maior que o de julho e 1,02% superior ao de agosto do ano passado.

Leitura do resultado

Para analistas do mercado de trabalho, o dado de agosto sugere alívio após um julho de baixa geração de vagas, mas não altera o diagnóstico de arrefecimento ao longo do ano. A combinação de crédito caro e atividade mais lenta tende a limitar o ritmo de contratações, sobretudo em setores mais sensíveis à taxa de juros. Por outro lado, o avanço da educação, um segmento com forte sazonalidade no segundo semestre, ajudou a sustentar o saldo do mês.

O Caged é um dos principais termômetros do emprego formal e acompanha o movimento de contratações e demissões de empresas em todo o território nacional. Os próximos meses devem mostrar se a retomada de agosto se consolida ou se foi pontual.