Quitanda
Frutas tropicais estão à venda em uma loja de hortifrúti em Manaus, no norte do Brasil. Kyodo News Stills via Getty Images

A primeira onda de calor da primavera começou neste sábado (26) em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, com temperaturas previstas até 5 °C acima da média. Segundo a CNN Brasil, o episódio deve durar até quarta-feira (30) e atingir, entre outros locais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e áreas de Minas Gerais.

Embora ainda não haja uma estimativa de impacto específico dessa onda de calor sobre os preços de alimentos frescos, as condições meteorológicas podem representar um fator de atenção para agricultores, distribuidores e consumidores. Frutas, verduras e legumes dependem diretamente das condições de cultivo e podem sofrer alterações na oferta e na qualidade quando o clima interfere no desenvolvimento das lavouras.

Clima Já Afeta Oferta E Preços

Os efeitos das condições climáticas sobre os produtos frescos já aparecem no mercado brasileiro. Uma reportagem publicada pelo R7 neste sábado mostrou aumentos nos preços de itens como tomate, alface e batata após chuvas intensas prejudicarem a produção. Segundo a publicação, o excesso de umidade pode afetar as raízes, favorecer doenças e reduzir a oferta de hortaliças.

O morango é outro exemplo. Levantamento divulgado em 26 de setembro pelo Piranot apontou que o preço da fruta em São Paulo passou de R$ 19,66 por quilo em setembro de 2025 para R$ 25,59 neste mês, alta de 30%. As chuvas registradas desde o fim de agosto reduziram a oferta e prejudicaram a qualidade dos frutos.

A situação mostra como diferentes eventos climáticos podem repercutir na cadeia de alimentos. Quando a produção diminui ou parte da colheita perde qualidade, a menor disponibilidade pode pressionar os valores no atacado e, posteriormente, chegar ao varejo.

Pressão Sobre A Cadeia De Produção

Dados divulgados pelo IBGE na prévia do IPCA-15 de setembro também mostram a volatilidade dos alimentos. O tomate registrou alta de 20% no mês, enquanto feijão carioca e cebola tiveram quedas de 6,33% e 4,41%, respectivamente.

Neste cenário, a onda de calor acrescenta um novo elemento de atenção para o setor agrícola. Seus efeitos sobre os preços dependerão da duração e intensidade das temperaturas, das condições de cada cultura e da capacidade de produção e distribuição.

Por enquanto, as informações disponíveis não permitem afirmar que o calor provocará uma alta generalizada nos preços de alimentos frescos. O cenário, porém, reforça a relação entre clima, oferta agrícola e comportamento dos preços ao consumidor.