Brasil Recupera Exportações Avícolas Ao Uruguai Após Restrições Sanitárias
Decisão elimina o último embargo de alcance nacional, enquanto onze países ainda restringem produtos avícolas de Santa Catarina.

O Brasil obteve mais um avanço na recuperação de seu comércio internacional de produtos avícolas. O Uruguai decidiu retomar as importações provenientes dos estados brasileiros que não foram afetados pelo surto de doença de Newcastle registrado em Santa Catarina. O anúncio foi feito pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) neste sábado, 7 de novembro, após a decisão uruguaia na sexta-feira (6).
Com essa medida, o país encerra a última restrição comercial de alcance nacional imposta ao setor avícola brasileiro em decorrência do episódio sanitário. As limitações internacionais passam a se concentrar exclusivamente em Santa Catarina, estado onde foram identificados os focos da doença. Dessa forma, o Brasil conseguiu reverter, em apenas 19 dias, os embargos que inicialmente atingiam todo o território nacional.
O resultado representa uma redução expressiva em comparação com o episódio de 2024. Naquele ano, após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial no Rio Grande do Sul, o Brasil precisou de 74 dias para recuperar o acesso aos mercados que haviam adotado restrições nacionais. Na ocorrência mais recente, registrada em 18 de outubro de 2026, em uma granja comercial de perus no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina, o mesmo objetivo foi alcançado em menos de três semanas.
Segundo o Mapa, a decisão uruguaia demonstra o avanço das negociações sanitárias brasileiras e o reconhecimento da regionalização como instrumento para preservar o comércio internacional. Esse princípio permite que os países importadores considerem a localização de um foco sanitário e as condições de outras regiões, evitando que um problema localizado provoque a suspensão das exportações de todo o país.
A delimitação das restrições também reduz o impacto potencial sobre o setor. De acordo com o Ministério, as limitações que permanecem representam aproximadamente 15 mil toneladas mensais de produtos avícolas, volume equivalente a 3% da média de exportações brasileiras, estimada em 500 mil toneladas por mês.
O trabalho de recuperação envolveu a atuação conjunta das secretarias de Defesa Agropecuária e de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, além do Ministério das Relações Exteriores. As equipes conduziram investigações epidemiológicas, ações de vigilância e controle, bem como negociações e compartilhamento de informações técnicas com autoridades estrangeiras.
Apesar do avanço, o desafio ainda não terminou. Atualmente, onze países mantêm restrições às importações de produtos avícolas provenientes de Santa Catarina. O Governo brasileiro pretende ampliar o reconhecimento internacional da regionalização sanitária, buscando limitar as medidas comerciais às áreas efetivamente afetadas, conforme os princípios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

