Exportações brasileiras atingem recorde e impulsionam maior saldo comercial de outubro em 37 anos
Exportações cresceram 20% no mês, com forte avanço das vendas de petróleo bruto, enquanto as importações subiram 14,8%, segundo o MDIC.

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,32 bilhões em outubro de 2026, o maior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1989. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e apontam crescimento de 39,4% em relação ao saldo de US$ 6,69 bilhões registrado em outubro do ano passado.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo avanço das exportações, que aumentaram 20% na comparação anual, alcançando US$ 37,81 bilhões. As importações também cresceram, mas em ritmo menor, com alta de 14,8%, totalizando US$ 28,49 bilhões. A diferença entre as vendas e as compras internacionais garantiu o resultado positivo.
Entre os principais fatores que contribuíram para o desempenho estão as exportações de petróleo bruto, combustíveis, cereais e soja. O destaque foi a indústria extrativa, que apresentou crescimento de 53,5% nas vendas externas em comparação com outubro de 2025.
As exportações de petróleo bruto avançaram 122,6%, gerando aproximadamente US$ 8,54 bilhões em receitas. O resultado foi influenciado tanto pelo aumento do volume embarcado quanto pela valorização do produto no mercado internacional.
Segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume exportado de petróleo cresceu 62,9%, enquanto os preços médios aumentaram 36,7%. O desempenho está relacionado à expansão da produção nacional, especialmente nas áreas de exploração do pré-sal, além das condições do mercado internacional de energia.
A agropecuária também apresentou resultado positivo, com crescimento de 12,8% nas exportações. As vendas de soja avançaram 8,9%, enquanto outros produtos agrícolas contribuíram para ampliar a participação brasileira no comércio internacional.
Já a indústria de transformação registrou alta de 7,7% nas exportações, impulsionada principalmente pelos embarques de óleos combustíveis de petróleo, que cresceram 164,5%, e de farelos de soja.
Importações também registram crescimento
Apesar do avanço das exportações, as compras brasileiras no exterior também aumentaram em outubro. O principal destaque foi a aquisição de combustíveis, que apresentou crescimento de 86,8%, alcançando US$ 4,5 bilhões. O aumento foi influenciado pela elevação dos preços internacionais dos produtos energéticos.
As importações de bens de consumo cresceram 25,9%, totalizando US$ 5,1 bilhões. Já as compras de bens intermediários avançaram 2,7%, chegando a US$ 15,2 bilhões. Os bens de capital, utilizados principalmente na produção industrial, registraram alta de 4%, somando US$ 3,7 bilhões.
A corrente de comércio, indicador que reúne exportações e importações, alcançou US$ 66,3 bilhões, crescimento de 17,7% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado também representa um recorde para meses de outubro.
Resultado acumulado no ano
No período de janeiro a outubro de 2026, o Brasil acumulou superávit comercial de US$ 71,04 bilhões, valor 34,1% superior ao registrado nos dez primeiros meses de 2025.
As exportações somaram US$ 321,88 bilhões, com crescimento de 11,2%, enquanto as importações alcançaram US$ 250,84 bilhões, alta de 6,1%.
Entre os setores econômicos, a indústria extrativa apresentou o maior crescimento acumulado, com expansão de 24,4%. A agropecuária avançou 9,2%, enquanto a indústria de transformação registrou aumento de 6,3%.
O desempenho das vendas externas também foi influenciado pelo comércio com importantes parceiros internacionais. Em outubro, as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 87%, enquanto as vendas para a China recuaram 5,3%.
Perspectivas para o comércio exterior
Apesar do resultado positivo, o governo revisou suas projeções para o comércio exterior em 2026. A estimativa oficial de superávit anual passou de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões, considerando as mudanças nas condições do comércio internacional e o comportamento das importações.
A expectativa do mercado financeiro é mais conservadora. De acordo com o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, as instituições consultadas projetam saldo positivo de aproximadamente US$ 79,9 bilhões para o ano.
O resultado de outubro reforça a importância das commodities, especialmente do petróleo, para o desempenho comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, evidencia a capacidade de expansão de diferentes setores exportadores.
A continuidade desse crescimento dependerá de fatores como a demanda internacional, os preços das matérias-primas, a produção nacional e as condições econômicas dos principais parceiros comerciais do Brasil.

