Acordo comercial entre Mercosul e Noruega abre novas oportunidades para produtos brasileiros
Tratado prevê redução ou eliminação de tarifas e facilita a exportação de café, soja, alimentos industrializados e outros produtos brasileiros

O acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) começou a valer para as relações comerciais entre Brasil e Noruega neste domingo (1º de novembro de 2026). A medida prevê a redução e a eliminação de tarifas de importação para diversos produtos, com expectativa de ampliar as exportações brasileiras e fortalecer a presença do país no mercado europeu.
Entre os produtos brasileiros que se destacam nas vendas para o mercado norueguês estão o café e os derivados da soja. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), compilados pela plataforma Agrostat, as exportações brasileiras de produtos do agronegócio para a Noruega totalizaram US$ 203 milhões em 2025, uma redução de aproximadamente 33% em comparação com o ano anterior.
O café liderou a lista de produtos exportados, movimentando US$ 105,6 milhões. Em seguida, apareceu o complexo da soja, com US$ 45,5 milhões, enquanto outros produtos alimentícios diversos representaram US$ 23 milhões. No sentido contrário, o Brasil importou US$ 111 milhões em produtos noruegueses, principalmente pescados, responsáveis por US$ 106 milhões desse total.
O acordo integra as negociações comerciais entre o Mercosul e a EFTA, bloco formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. Assinado em 16 de setembro de 2025, no Rio de Janeiro, o tratado busca ampliar o acesso aos mercados participantes por meio da redução de barreiras tarifárias e da simplificação de procedimentos comerciais.
Com a entrada em vigor das novas regras, diversos produtos brasileiros passam a ter tarifa de importação zerada na Noruega. Entre eles estão artigos de vestuário, produtos têxteis, óleos vegetais refinados, leveduras e diferentes alimentos industrializados. Também foram estabelecidas reduções tarifárias para chocolates, biscoitos, massas, cereais matinais e outros produtos alimentícios.
No setor agrícola, o tratado prevê condições preferenciais para mercadorias como carnes bovina e de frango, mel, milho, farinha de soja e sucos de frutas. Alguns produtos terão acesso por meio de cotas tarifárias, mecanismo que permite exportar determinados volumes com condições tributárias diferenciadas.
Além das mudanças nas tarifas, o acordo estabelece medidas para reduzir custos operacionais e facilitar a comercialização. Entre as iniciativas estão o reconhecimento de resultados de testes realizados em laboratórios dos países do Mercosul, a simplificação de exigências técnicas e a redução da duplicação de procedimentos de certificação.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aproximadamente 99,8% do valor das exportações brasileiras destinadas à Noruega estará contemplado pelo regime de livre comércio, considerando os setores agrícola e industrial e as condições específicas previstas para cada produto.
A expectativa do governo brasileiro é que o novo cenário favoreça a diversificação das exportações e amplie as oportunidades para empresas nacionais. Além do agronegócio, setores como medicamentos, calçados de couro, joalheria, máquinas e equipamentos mecânicos também apresentam potencial de crescimento.
A implementação do acordo ocorre de maneira gradual entre os integrantes da EFTA. As preferências comerciais entre Brasil e Islândia começaram a valer em 1º de outubro de 2026. Já a aplicação entre Brasil e Suíça e entre Brasil e Liechtenstein depende da conclusão dos procedimentos internos desses países.
Com um mercado de aproximadamente 15 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 1,4 trilhão, a EFTA representa uma oportunidade estratégica para o comércio exterior brasileiro. A entrada em vigor do acordo com a Noruega marca mais uma etapa na estratégia de ampliação das parcerias internacionais do Brasil.

