Goldman Sachs vê aumento de provisões no setor bancário
Goldman Sachs vê aumento de provisões no setor bancário e mantém Itaú entre suas ações preferidas Marco/Wikimedia Commons / CC BY-SA 2.0.

Prévia do terceiro trimestre aponta deterioração da qualidade do crédito e pressão sobre os lucros. Banco norte-americano demonstra cautela com o Banco do Brasil e mantém Itaú e Nubank entre as instituições preferidas, segundo análise publicada pelo InfoMoney.

O Goldman Sachs avalia que os bancos brasileiros devem enfrentar pressão adicional sobre os resultados do terceiro trimestre de 2026, diante do avanço da inadimplência e da necessidade de ampliar provisões para perdas com crédito. Em relatório de prévia dos balanços, divulgado pelo InfoMoney em 9 de outubro, o banco norte-americano apontou diferenças entre as instituições financeiras e manteve uma postura mais cautelosa em relação ao Banco do Brasil, enquanto Itaú e Nubank continuaram entre suas ações preferidas.

A análise ocorre em um momento em que a qualidade do crédito se tornou uma das principais preocupações do mercado financeiro brasileiro. Segundo os dados citados pelo Goldman, a inadimplência superior a 90 dias no sistema financeiro subiu de 3% em dezembro de 2024 para 4,6% em junho de 2026. O aumento indica que uma parcela maior das operações de crédito entrou em atraso prolongado, elevando a necessidade de provisionamento para cobrir possíveis perdas.

As provisões são recursos contabilizados pelas instituições para absorver perdas esperadas em empréstimos e financiamentos. Quando o risco de não pagamento aumenta, os bancos podem precisar reservar valores maiores, o que reduz o lucro contábil ou recorrente do período. O volume de provisões depende da composição da carteira, das garantias, do perfil dos clientes e das estimativas de recuperação das dívidas.

No caso do Banco do Brasil, o Goldman Sachs projetou provisões de R$ 20,3 bilhões no terceiro trimestre, alta de 10% em relação ao trimestre anterior e de 13% na comparação anual. O banco também estimou lucro recorrente de R$ 3,7 bilhões, queda de 5% frente ao segundo trimestre, e retorno sobre o patrimônio líquido de 8%, ante 8,4% anteriormente. São projeções de analistas, e não resultados efetivamente divulgados pela instituição.

O relatório identifica o crédito rural e os cartões como pontos de atenção para o Banco do Brasil, além de considerar limitados os efeitos de medidas de renegociação destinadas a clientes em situação financeira mais difícil. A exposição ao agronegócio pode tornar o desempenho da carteira sensível às condições de produção, preços de commodities, endividamento dos produtores e capacidade de pagamento das empresas e famílias atendidas pelo banco.

O Goldman reduziu suas projeções de lucro do Banco do Brasil para 2026, 2027 e 2028 e manteve recomendação de venda para a ação, embora tenha elevado o preço-alvo para R$ 19,50. Uma recomendação desse tipo expressa a avaliação de uma instituição financeira sobre o potencial de retorno de um ativo dentro de determinado horizonte. Não representa uma previsão garantida nem uma orientação universal para todos os investidores.

Em contraste, o Itaú foi descrito pelo Goldman como uma opção mais defensiva dentro do setor bancário. O Nubank também permaneceu entre os nomes preferidos do banco. Essas preferências refletem a análise da instituição sobre rentabilidade, qualidade dos ativos, crescimento e riscos específicos de cada negócio. Não significam que os dois bancos estejam imunes ao aumento da inadimplência ou a mudanças no ambiente econômico.

O cenário para o setor dependerá de fatores como crescimento da economia, renda das famílias, custo de captação, juros, concessão de crédito e recuperação de dívidas. Taxas de juros elevadas podem aumentar o custo de financiamento dos consumidores e das empresas, mas a relação entre juros e resultados bancários é complexa: as instituições também dependem da margem financeira, da demanda por empréstimos e do comportamento dos depósitos.

A temporada de resultados do terceiro trimestre permitirá comparar as projeções com os números efetivos das instituições. Até a divulgação dos balanços, os valores do Goldman devem ser tratados como estimativas sujeitas a revisão. A reação das ações também dependerá da diferença entre os resultados publicados e as expectativas já incorporadas aos preços.