A ONU destaca o cuidado dispensado aos jornalistas.
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A Organização das Nações Unidas (ONU) voltou a chamar a atenção para a necessidade de proteger jornalistas, garantir a liberdade de imprensa e assegurar o acesso da população à informação confiável. O alerta foi feito nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, pelo secretário-geral da organização, António Guterres, durante as manifestações pelo Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas.

Em sua mensagem oficial, Guterres afirmou que profissionais da comunicação em diferentes partes do mundo continuam pagando um preço elevado por exercerem o direito de informar. Segundo ele, jornalistas são frequentemente vítimas de assédio, vigilância, processos judiciais, agressões físicas e prisões. Em situações mais graves, enfrentam tortura e assassinatos simplesmente por realizarem seu trabalho.

"Em todo o mundo, os jornalistas continuam a pagar um preço exorbitante por dizerem a verdade", declarou o secretário-geral, ressaltando que esses profissionais desempenham uma função essencial para manter a sociedade informada e cobrar responsabilidade das autoridades e de outros setores que exercem poder.

Os números apresentados pela ONU e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) demonstram a dimensão do problema. De acordo com o relatório sobre a segurança dos jornalistas e o perigo da impunidade, 189 profissionais da imprensa foram mortos em ataques violentos durante 2024 e 2025, um aumento em relação aos 162 assassinatos registrados nos dois anos anteriores.

Outro dado considerado preocupante é a impunidade. Atualmente, aproximadamente 86% dos assassinatos de jornalistas permanecem sem responsabilização judicial. Isso significa que seis em cada sete casos não resultam em punição para os responsáveis. O índice representa uma reversão na tendência de queda observada desde 2012, quando a taxa mundial chegava a 95%.

As zonas de conflito armado continuam sendo os ambientes mais perigosos para o exercício da profissão. Segundo o levantamento, 67% dos assassinatos registrados em 2024 e 2025 ocorreram em regiões afetadas por conflitos. Em alguns desses cenários, a impunidade aproxima-se de 100%, dificultando a investigação dos crimes e a responsabilização dos envolvidos.

Além dos assassinatos, a organização destaca outras formas de violência que comprometem o trabalho jornalístico. Sequestros, detenções arbitrárias, ameaças, intimidação e processos judiciais utilizados para silenciar profissionais também fazem parte das dificuldades enfrentadas pela imprensa. Os ataques digitais representam outra preocupação crescente, especialmente contra mulheres jornalistas, que frequentemente sofrem violência de gênero e assédio nas plataformas digitais.

Apesar do cenário preocupante, a ONU reconhece alguns avanços. Desde o lançamento do Plano de Ação das Nações Unidas sobre a Segurança dos Jornalistas e a Questão da Impunidade, em 2012, a taxa de impunidade nos países que não estão envolvidos em conflitos armados caiu de 94% para 77%. A iniciativa também contribuiu para o desenvolvimento de mecanismos nacionais de proteção em pelo menos 50 países.

Diante desse contexto, Guterres pediu que os governos e as instituições competentes fortaleçam as medidas de proteção, investiguem todos os crimes contra jornalistas e garantam que os responsáveis sejam levados à Justiça. Também defendeu o fim dos ataques e das ameaças no ambiente digital.

A mensagem central da ONU é que proteger jornalistas significa preservar um direito fundamental de toda a sociedade: o acesso à informação. Quando profissionais são ameaçados ou impedidos de trabalhar, não apenas a liberdade de imprensa é prejudicada, mas também a democracia, os direitos humanos e a capacidade da população de tomar decisões conscientes.