Polícia Federal
A Polícia Federal investiga contratos públicos de R$ 200 milhões no Rio de Janeiro MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images

A Polícia Federal (PF) iniciou, em 27 de outubro, a segunda fase da Operação Castratio para investigar possíveis irregularidades em contratos firmados entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e uma empresa privada. Os acordos analisados somam aproximadamente R$ 200 milhões e estão relacionados à atuação da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atualmente denominada SEAPA.

Nesta etapa, os agentes cumprem cinco mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro e de Niterói. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e têm como objetivo reunir provas e aprofundar a apuração sobre a possível atuação de uma organização criminosa no âmbito da administração estadual.

Investigação apura suspeitas em contratos públicos

De acordo com a Polícia Federal, a primeira fase da operação, realizada em maio de 2026, concentrou-se na apuração de possíveis irregularidades nas contratações entre o governo estadual e uma empresa privada. Entre as suspeitas estão direcionamento de licitações, superfaturamento e fraude nos procedimentos de contratação.

O material recolhido durante aquela etapa levou ao avanço das investigações. Agora, os policiais buscam dimensionar a extensão do grupo investigado e esclarecer como as possíveis irregularidades teriam ocorrido, além de identificar eventuais responsabilidades.

Os contratos, que totalizam cerca de R$ 200 milhões, estão associados a serviços veterinários de castração e esterilização de animais. A apuração procura verificar se os procedimentos de contratação e a execução dos acordos respeitaram as regras aplicáveis à administração pública.

Possíveis crimes incluem corrupção e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal informou que os fatos investigados podem configurar crimes como peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Outras infrações também poderão ser consideradas caso surjam novos elementos durante as diligências.

O peculato envolve, em termos gerais, o uso ou desvio indevido de recursos ou bens públicos por quem tem acesso a eles em razão de sua função. Já a corrupção pode envolver a solicitação, oferta ou recebimento de vantagens indevidas, enquanto a lavagem de dinheiro busca ocultar ou dissimular a origem ilícita de recursos.

A presença dessas hipóteses na investigação não significa que os crimes estejam comprovados. A apuração deverá reunir elementos para esclarecer os fatos e determinar se houve conduta criminosa por parte de agentes públicos ou privados.

A segunda fase da Operação Castratio dá continuidade ao trabalho iniciado em maio. A análise dos materiais apreendidos e das informações reunidas deverá orientar os próximos passos da investigação, que segue sob responsabilidade da Polícia Federal, com as medidas judiciais autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.