Países Baixos prometem US$ 500 milhões para iniciativa global de proteção das florestas tropicais
Contribuição será distribuída ao longo de dez anos e ainda depende da estruturação operacional e financeira do mecanismo, prevista para avançar até 2027.

O governo dos Países Baixos, conhecido como Holanda, anunciou nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, que pretende destinar até US$ 500 milhões ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), iniciativa idealizada pelo Brasil para financiar a conservação de florestas tropicais. O aporte será distribuído ao longo de dez anos e representa um novo compromisso internacional com a proteção ambiental e o combate às mudanças climáticas.
O mecanismo foi lançado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, em novembro de 2025. A proposta busca criar uma fonte de financiamento de longo prazo para países que preservem suas florestas, oferecendo incentivos econômicos para manter a vegetação nativa em pé.
Segundo o governo holandês, a contribuição está alinhada às metas climáticas internacionais e aos compromissos assumidos no Acordo de Paris. O ministro do Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento, Sjoerd Sjoerdsma, afirmou que a preservação das florestas tropicais é fundamental para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e proteger a biodiversidade.
O ministro também destacou que os ecossistemas florestais contribuem para a segurança alimentar global e para a resiliência ambiental diante dos impactos das mudanças climáticas. Segundo ele, o fundo pretende oferecer incentivos financeiros previsíveis aos países que assumirem compromissos efetivos de conservação.
Com o anúncio, os Países Baixos passam a integrar uma coalizão internacional que reúne governos interessados em apoiar a iniciativa. Entre os países que já anunciaram contribuições estão Brasil, Noruega, Luxemburgo, Indonésia, Alemanha, França, Portugal e Reino Unido.
O objetivo dos idealizadores é mobilizar pelo menos US$ 125 bilhões para o fundo. Desse total, a expectativa é captar US$ 25 bilhões de governos e outros financiadores públicos, enquanto US$ 100 bilhões deverão vir do setor privado. A dimensão dos recursos pretende permitir pagamentos contínuos aos países participantes, reduzindo a dependência de contribuições voluntárias e de programas ambientais com duração limitada.
Diferentemente de mecanismos baseados exclusivamente na compra de créditos de carbono, o TFFF foi concebido para recompensar diretamente a manutenção das florestas tropicais. A estrutura financeira prevê a emissão de títulos para atrair investidores, que receberão juros, enquanto os rendimentos líquidos poderão financiar pagamentos aos países que cumprirem os critérios de conservação.
A liberação dos recursos dependerá de mecanismos de monitoramento e verificação. Imagens de satélite e sistemas de acompanhamento florestal serão utilizados para avaliar se os países mantêm o desmatamento abaixo dos limites estabelecidos. Dessa forma, os pagamentos estarão vinculados a resultados ambientais verificáveis.
O fundo também prevê a participação de povos indígenas e comunidades tradicionais, reconhecendo sua contribuição para a proteção de territórios florestais. A proposta estabelece que pelo menos 20% dos pagamentos nacionais sejam destinados diretamente a essas populações.
O governo holandês estima que o mecanismo poderá contribuir para proteger entre 800 milhões e 900 milhões de hectares de florestas tropicais, uma área equivalente a centenas de vezes o território dos Países Baixos. Já os idealizadores projetam um alcance potencial superior a 1 bilhão de hectares em mais de 70 países, caso as metas de financiamento sejam alcançadas.
Apesar do novo compromisso, a contribuição holandesa ainda está condicionada ao desenvolvimento da estrutura operacional e financeira do mecanismo. A expectativa é que essa etapa de implementação avance até meados de 2027, com participação do Banco Mundial.

