IFI Alerta Para Déficit De R$ 86 Bilhões Em 2027
Projeção da instituição fiscal diverge em R$ 104,8 bilhões da previsão do governo no PLOA; diferenças envolvem crescimento, inflação, receitas e despesas obrigatórias.
A Instituição Fiscal Independente (IFI) projeta um déficit primário de R$ 86,1 bilhões nas contas públicas de 2027 e estima que será necessário contingenciar R$ 35,7 bilhões em despesas para que a meta fiscal seja cumprida, segundo informou o portal Brasil 61. A previsão contrasta fortemente com a do governo: o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) trabalha com um superávit de R$ 18,6 bilhões para o próximo ano, uma diferença entre as duas estimativas que chega a R$ 104,8 bilhões, de acordo com a Rádio Senado.
De onde vem a divergência
Os números constam do Relatório de Acompanhamento Fiscal de setembro (RAF 116), divulgado pela IFI em 17 de setembro. Segundo os diretores da instituição, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, parte da diferença está ligada às projeções macroeconômicas usadas pelo governo na elaboração do orçamento. Enquanto o PLOA 2027 se baseia em uma expansão do PIB de 2,5%, a IFI projeta crescimento de 1,8%, e o Boletim Focus, 1,5%. A inflação também diverge: o governo trabalha com um IPCA de 3,6% para 2027, contra 4,0% estimado pela IFI e 4,3% do Focus. Há ainda diferença na previsão da massa salarial, que influencia a receita previdenciária — o governo projeta alta de 10,1%, enquanto a IFI calcula 7,3%.
Despesas sob divergência
Do lado dos gastos, as principais discrepâncias aparecem nas projeções para despesas previdenciárias, Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial, seguro-desemprego e sentenças judiciais. Segundo os diretores da IFI, a instituição considera os números da proposta orçamentária "relativamente otimistas", enquanto o governo confia na sua estratégia de revisão de gastos.
Impacto sobre a meta fiscal
Mesmo após as exclusões legais de despesas consideradas no cálculo do resultado primário, a IFI estima um superávit inferior a R$ 1 bilhão — valor insuficiente para cumprir a meta fiscal, mesmo levando em conta o limite inferior do intervalo de tolerância, de 0,25 ponto percentual do PIB. Diante desse cenário, a instituição calcula que seria necessário bloquear R$ 35,7 bilhões em despesas em 2027. A estimativa, porém, ainda não incorpora uma despesa adicional de R$ 33,8 bilhões referente ao aporte ao Fundo de Compensação aos Estados pela substituição do IPI pelo Imposto Seletivo, prevista na reforma tributária.
Outros pontos do relatório
Em algumas fontes de receita, a projeção da IFI é mais otimista que a do governo, como nos recursos da exploração de petróleo e nos dividendos de estatais. Já nas transferências constitucionais a estados e municípios, o governo prevê queda de 4,7% para 4,1% do PIB entre 2026 e 2027 — abaixo até do que projetava em abril, no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias. O RAF 116 também associa a permanência dos juros reais em patamar elevado à situação fiscal do país, que ocupa papel central na definição do prêmio de risco exigido pelos compradores de títulos públicos de longo prazo.






















