Soja brasileira
Uma planta de soja é vista em um campo durante o pôr do sol em Cruz Alta, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Silvio AVILA / AFP via Getty Images

A China reduziu significativamente as compras comerciais de soja brasileira nas últimas semanas, enquanto empresas chinesas voltaram a ampliar as aquisições do produto norte-americano. O movimento modifica a disputa pelo principal mercado consumidor da oleaginosa e ocorre em meio à retomada das relações comerciais entre Washington e Pequim.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil nesta sexta-feira (25), compradores chineses adquiriram menos de cinco cargas de soja brasileira nas duas semanas anteriores ao encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. Em agosto, a média era de aproximadamente 20 cargas por semana. Traders citados pela reportagem afirmam que as margens das processadoras chinesas ficaram negativas para alguns embarques brasileiros.

Soja Americana Volta A Ganhar Espaço

A mudança ocorre enquanto a China avança no cumprimento do compromisso de comprar pelo menos 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos por ano entre 2026 e 2028. Segundo dados citados pela CNN Brasil, as compras destinadas ao atual ano comercial já se aproximam dessa meta.

A retomada das aquisições americanas também está relacionada à entrada da nova safra dos Estados Unidos no mercado. Ao mesmo tempo, a disponibilidade da safra brasileira diminuiu após um ritmo elevado de comercialização. De acordo com dados da AgRural mencionados pela reportagem, mais de 90% da safra brasileira 2025/26 já havia sido vendida, acima da média de cinco anos, de 88%.

Essa combinação reduziu a vantagem de preço da soja brasileira. A CNN Brasil, com dados citados da Bloomberg, informou que cargas brasileiras para embarque em novembro pelo porto de Paranaguá eram negociadas com prêmio de US$ 1,35 por bushel sobre a Bolsa de Chicago. Em alguns casos, o produto brasileiro chegou a superar o preço da soja americana colocada no Golfo do México.

Tarifas Mantêm Diferença Entre Fornecedores

Apesar do aumento das compras americanas, a soja dos Estados Unidos continua sujeita a uma tarifa chinesa adicional de 10%, além da tarifa de 3% aplicada pela condição de nação mais favorecida. Para a soja brasileira, permanece a tarifa de 3%. Mesmo com essa diferença, a disponibilidade da nova safra americana e os preços relativos voltaram a tornar o produto dos EUA mais competitivo para compradores chineses.

O encontro entre Trump e Xi, realizado em 24 de setembro, terminou sem o anúncio de uma nova grande rodada de compras agrícolas. Os dois países, contudo, estenderam por mais dois meses a trégua comercial. A ausência de novos compromissos deixou em aberto a evolução das compras chinesas de produtos agrícolas americanos.

Para o Brasil, o principal efeito imediato é a maior concorrência pela demanda chinesa. A China continua sendo um mercado relevante para a soja brasileira, mas a retomada dos embarques americanos oferece aos compradores chineses uma alternativa adicional de abastecimento. Isso pode aumentar a pressão sobre os prêmios pagos pela soja brasileira e sobre as margens dos produtores e exportadores, especialmente enquanto a nova safra dos Estados Unidos ganha espaço no mercado internacional.