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Foresea/ Divulgação

A Petrobras anunciou uma nova descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do estado do Amapá. A ocorrência representa a terceira descoberta de petróleo comunicada pela companhia na região e reforça o interesse exploratório na chamada Margem Equatorial brasileira, considerada uma das áreas com potencial para ampliar as reservas nacionais de hidrocarbonetos.

A descoberta foi identificada durante atividades de perfuração em águas profundas, realizadas pela Petrobras na região. Segundo a companhia, a presença de petróleo foi constatada por meio de indícios registrados durante a operação, que serão submetidos a análises técnicas para avaliar as características e a qualidade dos fluidos encontrados.

A área está situada no bloco FZA-M-59, aproximadamente na costa do Amapá, em uma região considerada estratégica para a exploração de novas fronteiras petrolíferas. O bloco integra a Margem Equatorial, uma extensa faixa marítima que se estende do litoral do Rio Grande do Norte ao Amapá e apresenta características geológicas que despertam o interesse da indústria de petróleo e gás.

A Petrobras informou que a descoberta ainda não significa a existência de uma reserva comercialmente comprovada. Para determinar o potencial econômico da ocorrência, serão necessários estudos complementares, análises laboratoriais e avaliações geológicas que permitam dimensionar a quantidade de petróleo presente e verificar as condições de eventual exploração.

A nova ocorrência também se insere no contexto dos esforços da estatal para diversificar suas áreas de produção e reduzir a dependência de campos maduros. Nos últimos anos, a companhia tem direcionado investimentos para ampliar o conhecimento geológico de regiões consideradas promissoras, especialmente diante da perspectiva de manutenção da demanda mundial por petróleo nas próximas décadas.

A terceira ocorrência foi confirmada após a continuidade da avaliação de diferentes intervalos geológicos no mesmo poço. As duas descobertas anteriores haviam sido anunciadas em agosto e no início de outubro de 2026. De acordo com a Petrobras, os resultados demonstram o potencial exploratório da região e ampliam o conhecimento sobre as formações petrolíferas existentes na Bacia da Foz do Amazonas.

O poço Morpho está situado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma lâmina d'água de 2.886 metros. A operação foi conduzida em condições de águas ultraprofundas, exigindo equipamentos especializados e tecnologias de perfuração capazes de operar sob elevada pressão e em grandes profundidades.

Próximas etapas da operação

Segundo a estatal, a perfuração e a aquisição de dados geológicos foram concluídas. A etapa seguinte consiste na finalização das operações e no abandono técnico do poço, procedimento que envolve o fechamento e a preparação da estrutura para permanecer desativada com segurança.

Após essa conclusão, a sonda de perfuração será deslocada para a Bacia Potiguar, na costa do Rio Grande do Norte, onde iniciará trabalhos na área denominada Mãe de Ouro.

Apesar das três descobertas, ainda não foram divulgados dados definitivos sobre o volume total de petróleo identificado ou sua viabilidade comercial. A confirmação de uma ocorrência de petróleo não significa necessariamente que exista uma reserva economicamente explorável. Para isso, serão necessárias novas avaliações técnicas e estudos de delimitação das jazidas.

A Petrobras considera a Margem Equatorial uma área estratégica para a recomposição de suas reservas de petróleo e gás natural. A companhia pretende ampliar o conhecimento sobre novas fronteiras exploratórias diante da perspectiva de declínio gradual da produção de campos mais antigos.

Exploração e preocupação ambiental

A exploração na Foz do Amazonas também permanece no centro de debates ambientais. A região apresenta grande biodiversidade marinha e ecossistemas considerados sensíveis, o que gera preocupações entre organizações ambientais, pesquisadores e representantes de comunidades tradicionais.

Em outubro de 2025, a Petrobras obteve autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar a perfuração exploratória na região. Entretanto, o Ministério Público Federal (MPF) voltou a questionar judicialmente a licença ambiental em outubro de 2026, solicitando a suspensão das atividades no bloco FZA-M-59 e apontando preocupações relacionadas à segurança operacional e à consulta às comunidades tradicionais.

A companhia, por sua vez, afirma que suas operações seguem protocolos de segurança e medidas de proteção ambiental.

A terceira descoberta reforça o interesse da Petrobras na Margem Equatorial e representa um avanço no conhecimento geológico da região. Entretanto, o aproveitamento econômico dos recursos dependerá de novas avaliações, enquanto a continuidade dos projetos deverá considerar os desafios ambientais e regulatórios envolvidos na exploração de petróleo na costa norte brasileira.