China eleva tarifa sobre carne bovina brasileira a 67%
China eleva tarifa sobre carne bovina brasileira a 67% após esgotar cota anual IBTimes Brasil

Sobretaxa de 55% passa a incidir sobre os embarques que ultrapassam o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026. Medida afeta o acesso ao principal mercado externo da pecuária brasileira e leva exportadores a buscar alternativas.

A carne bovina brasileira que exceder a cota anual estabelecida pela China passa a enfrentar uma tarifa total de 67%, resultado da soma de uma sobretaxa de 55% com o imposto regular de importação de 12%. A mudança ocorre depois de o Brasil atingir o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026, restringindo as condições de acesso ao maior mercado internacional da proteína brasileira.

A medida faz parte de um mecanismo de salvaguarda comercial adotado por Pequim no fim de 2025 e aplicado a fornecedores estrangeiros que ultrapassam as cotas individuais de importação. A regra não se limita ao Brasil: integra uma política chinesa voltada a conter o impacto das importações sobre a indústria pecuária doméstica. O regime está previsto para vigorar até o fim de 2028.

Limite anual foi alcançado antes do fim do ano

O esgotamento da cota brasileira foi confirmado pelas autoridades chinesas em 29 de setembro, segundo a CNN Brasil e a Folha de S.Paulo. O limite estabelecido para 2026 representa cerca de 65% do volume de carne bovina que o Brasil exportou à China em 2025, quando os embarques chegaram a aproximadamente 1,68 milhão de toneladas.

A diferença entre o volume exportado no ano passado e a cota atual ajuda a dimensionar o desafio para frigoríficos e pecuaristas. Em 2025, a China respondeu por cerca de 48% do volume total de carne bovina exportado pelo Brasil, movimentando aproximadamente US$ 8,9 bilhões, de acordo com os dados citados pela Folha.

Com o limite atingido, os embarques que excederem a cota ficam sujeitos à tarifa adicional. Na prática, a elevação do custo de entrada pode reduzir a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês e dificultar a manutenção dos volumes enviados ao país, embora o impacto efetivo dependa das condições comerciais negociadas por exportadores e compradores.

Brasil tenta ampliar alternativas de exportação

O governo brasileiro vem buscando formas de reduzir os efeitos da salvaguarda. Uma das possibilidades discutidas é utilizar parte da cota de importação não preenchida por outros fornecedores, como o Uruguai. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país vizinho autorizou o Brasil a solicitar o uso do volume remanescente, mas a decisão final depende das autoridades chinesas.

A autorização uruguaia, portanto, não significa que Pequim tenha aceitado a transferência. A Folha informou que pedidos brasileiros anteriores para flexibilizar o uso das cotas não haviam sido aprovados pela China.

Outra frente é a busca por compradores em mercados alternativos. Os Estados Unidos e a Coreia do Sul aparecem entre os destinos mencionados nas negociações, enquanto a habilitação de frigoríficos brasileiros para exportar à Indonésia amplia as possibilidades comerciais. A abertura de novos mercados, contudo, não garante que todo o volume potencialmente afetado pela restrição chinesa possa ser absorvido em condições equivalentes.

O setor também começou a ajustar a produção diante das limitações de acesso ao mercado asiático. Segundo a Folha, frigoríficos adotaram férias coletivas e paralisações temporárias em algumas unidades. Essas medidas indicam que os efeitos da restrição podem alcançar não apenas os exportadores, mas também trabalhadores e fornecedores ligados à cadeia da carne.

Medida chinesa vale para diferentes fornecedores

A salvaguarda integra uma política mais ampla de controle das importações de carne bovina. A China estabeleceu cotas para diferentes países e definiu a cobrança adicional para os volumes que ultrapassarem os limites. Por isso, a sobretaxa não deve ser interpretada como uma tarifa exclusiva contra o Brasil, embora o tamanho do mercado chinês torne a medida especialmente relevante para os exportadores brasileiros.

O Ministério da Agricultura brasileiro já havia esclarecido, em julho, que a sobretaxa seria aplicada somente ao volume excedente, e não a todos os embarques brasileiros. Naquele momento, a cota ainda não havia sido totalmente utilizada. A situação mudou no fim de setembro, quando o limite de 2026 foi alcançado.

A data exata de início da cobrança aparece de forma divergente nos relatos consultados: a Folha informa que a tarifa passou a valer em 1º de outubro, enquanto a CNN Brasil aponta 2 de outubro, com base na regra de aplicação após o esgotamento da cota. A divergência não altera o ponto central confirmado pelas fontes: o limite anual foi atingido e os volumes excedentes estão sujeitos à tarifa combinada de 67%.