Produção Industrial Brasileira Cai 0,6% Em Agosto E Frustra Mercado
Queda ocorreu em todas as grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 setores pesquisados pelo IBGE; produção também recuou na comparação anual.

A produção industrial brasileira recuou 0,6% em agosto na comparação com julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado frustrou o mercado, que esperava avanço, e se soma aos sinais de que a atividade econômica perde fôlego em um cenário de financiamento caro.
Queda também na comparação anual
Em relação a agosto de 2025, a indústria produziu 1,2% menos. A Reuters classificou o recuo mensal como inesperado. Segundo a TV Sim Brasil, a projeção mediana de 20 instituições financeiras consultadas pelo Valor Data era de alta de 0,2%, com estimativas entre queda de 0,2% e avanço de 0,8%. Portanto, o número divulgado ficou abaixo até da previsão mais pessimista.
Retração ampla entre categorias e setores
O IBGE registrou queda nas quatro grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos pesquisados, conforme o levantamento. Os bens semiduráveis e não duráveis tiveram a maior perda, de 1,7%, seguidos pelos bens duráveis (1%), pelos bens de capital (0,6%) e pelos bens intermediários (0,2%). Ou seja, nenhuma das grandes categorias escapou da retração, embora em ritmos distintos.
Entre os setores, o de produtos do fumo caiu 23,4%, os farmoquímicos e farmacêuticos recuaram 5,5%, e os equipamentos de informática e eletrônicos perderam 4%. Houve avanços pontuais, como os de produtos diversos (8,4%), alimentícios (1%), químicos (0,9%) e metalurgia (0,8%).
Juros altos e atividade mais fraca
A Reuters relaciona o resultado ao peso dos elevados custos de financiamento sobre a atividade econômica. A TV Sim Brasil menciona a taxa Selic, de 13,75% ao ano, que encarece o crédito usado pelas empresas para investir e produzir, e afirma que esta é a terceira queda mensal da produção industrial em 2026, depois das registradas em maio e junho.
Apesar do tropeço, o setor ainda acumula alta de 0,8% em 2026 e de 0,6% nos 12 meses até agosto, de acordo com o mesmo levantamento.
Confiança também recua
No mesmo dia, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou a Síntese das Sondagens de setembro. O Índice de Confiança Empresarial caiu 0,5 ponto, para 91,1 pontos, enquanto o Índice de Confiança do Consumidor recuou pelo quarto mês seguido, para 83,5 pontos, o menor nível desde novembro de 2022, segundo a TV Sim Brasil.
Os números divulgados nesta sexta-feira se somam, segundo a Reuters, a indícios de que os custos de financiamento pesam sobre a atividade, enquanto os indicadores de confiança também mostraram fraqueza.

