Logo de Arcelor en las oficinas de Saint-Denis, cerca de
Logo de Arcelor en las oficinas de Saint-Denis, cerca de París. Sarah Meyssonnier REUTERS

São Paulo – O grupo siderúrgico ArcelorMittal planeja novos investimentos no Brasil que somam mais de R$ 10 bilhões, cerca de US$ 1,9 bilhão. Metade do valor deve ir para a usina de Tubarão, em Serra (ES), e um segundo projeto, de cerca de R$ 5 bilhões, em Pecém (CE), aguarda decisão final até o fim de 2026.

O anúncio vem depois de o governo federal endurecer a defesa comercial contra o aço importado, sobretudo o chinês. Em fevereiro, foram aplicadas tarifas antidumping definitivas, com validade de até cinco anos, sobre laminados planos a frio da China. Segundo a empresa, as medidas ajudaram a reduzir a participação do produto importado no mercado nacional e melhoraram o cenário para novos aportes.

Projeto no Espírito Santo

No Espírito Santo, a companhia pretende instalar um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo, com investimento estimado entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões. A ideia é que a transformação do aço, hoje feita em parte fora do estado, passe a ocorrer na própria usina de Tubarão, ampliando a produção de itens de maior valor agregado.

O presidente da ArcelorMittal Brasil, Jorge Oliveira, afirmou anteriormente que o investimento fortalece a presença da empresa em mercados de alto valor agregado, como os setores automotivo, de linha branca e de construção civil. A demanda local também pesa na decisão: a instalação da fábrica da montadora GWM em Aracruz (ES) foi apontada pelo executivo como um fator favorável, já que a indústria automotiva precisa consumir aço produzido no país.

Ceará e ciclo de investimentos

O segundo projeto, em Pecém, no Ceará, ainda depende de avaliação final. A empresa tem dito que o ritmo dos aportes está ligado à competitividade do aço brasileiro frente ao importado. Em declarações anteriores, Oliveira afirmou que o grupo quer investir, mas o ritmo depende da competitividade do país diante do aço importado.

Os novos valores se somam a um ciclo de mais de R$ 25 bilhões em investimentos feito desde 2022, que, segundo a empresa, está sendo concluído. No Brasil, a ArcelorMittal tem capacidade para produzir 15,5 milhões de toneladas de aço bruto por ano.

Defesa comercial

A política de defesa comercial é conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A siderurgia brasileira vinha alertando para a chegada de aço a preços considerados artificialmente baixos, o que, segundo o setor, pressionava resultados e adiava investimentos. O antidumping consiste em sobretaxas sobre produtos vendidos no exterior a preços inferiores aos praticados no mercado de origem.

Apesar do otimismo, a empresa mantém cautela. Executivos do grupo têm dito que a continuidade dos projetos depende de as barreiras comerciais se mostrarem eficazes ao longo do tempo e de novas decisões do governo sobre outros produtos do setor, como os galvanizados.

Para o Espírito Santo e o Ceará, a expectativa é de impacto na geração de empregos, na arrecadação e na cadeia industrial local, caso os projetos sejam confirmados.