Carteira de trabalho digital
Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil criou 121.305 postos de trabalho com carteira assinada em setembro de 2026, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Apesar do resultado positivo, o número representa uma redução de 43,5% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram abertas 214.609 vagas. O desempenho também representa o menor saldo para setembro desde o início da atual série histórica, em 2020.

O resultado é consequência de 2.214.437 admissões e 2.093.132 desligamentos registrados durante o mês. Na comparação com agosto, quando o país contabilizou 161.062 novos postos de trabalho, houve uma redução de aproximadamente 24,7% no saldo de contratações.

A desaceleração também aparece nos números acumulados ao longo do ano. Entre janeiro e setembro de 2026, o mercado de trabalho brasileiro registrou a criação de 1.248.914 empregos formais. No mesmo período do ano passado, haviam sido contabilizadas 1.731.398 vagas. A diferença representa uma queda de 27,9% na geração de empregos.

Entre os fatores associados ao enfraquecimento das contratações estão os juros elevados e a desaceleração da atividade econômica. O custo do crédito e as condições financeiras mais restritivas podem limitar os investimentos empresariais, afetando a capacidade de expansão das empresas e a abertura de novas oportunidades de trabalho.

Serviços lideram a criação de vagas

Na análise por setores econômicos, quatro dos cinco grandes grupos pesquisados pelo Caged apresentaram saldo positivo em setembro. O setor de serviços liderou a geração de empregos, com 81.241 novos postos de trabalho.

A indústria registrou 19.285 vagas, seguida pelo comércio, com 15.697, e pela construção civil, que abriu 9.468 postos. A agropecuária foi o único segmento com resultado negativo, contabilizando 4.381 desligamentos a mais do que contratações.

Dentro do setor de serviços, as atividades administrativas e os serviços complementares se destacaram, com 18.386 vagas. A área de saúde humana e serviços sociais registrou 15.403 novos postos, enquanto transporte, armazenagem e correio contabilizaram aproximadamente 13,2 mil contratações líquidas.

Nordeste apresenta maior saldo regional

Todas as cinco regiões brasileiras registraram resultados positivos em setembro. O Nordeste liderou a abertura de vagas, com 49.142 postos, seguido pelo Sudeste, com 39.404. O Norte contabilizou 14.748 empregos, enquanto o Sul registrou 9.949 e o Centro-Oeste, 7.894.

Entre os estados, São Paulo apresentou o maior saldo absoluto, com 19.391 vagas, seguido por Pernambuco, com 13.371, e Alagoas, com 11.110. O Rio Grande do Sul foi a única unidade da Federação com saldo negativo, registrando 2.937 desligamentos líquidos.

Salários e estoque de empregos

O salário médio real de admissão alcançou R$ 2.429,41 em setembro, uma redução de 0,05% em relação a agosto, mas um crescimento de 1,88% na comparação anual.

Mesmo diante da desaceleração das contratações, o estoque de empregos formais chegou a aproximadamente 48,36 milhões de vínculos ativos no país, com crescimento de 1,65% em relação a setembro de 2025.

Os números indicam que o mercado de trabalho continua criando empregos, mas em ritmo significativamente menor. A evolução dos juros, dos investimentos e da atividade econômica será determinante para o comportamento das contratações nos últimos meses de 2026.