Copom avalia novo corte nos juros em meio à pressão inflacionária e incertezas econômicas
Mercado projeta redução de 0,25 ponto percentual, mas inflação acima do teto da meta e riscos fiscais ampliaram as apostas pela manutenção dos juros.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realiza nesta quarta-feira (4) sua penúltima reunião de 2026 para definir o novo patamar da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. A decisão é aguardada pelo mercado financeiro em um cenário de incertezas econômicas, valorização do dólar e preocupações com a inflação. A expectativa apontada pelo Boletim Focus é de uma nova redução de 0,25 ponto percentual, que levaria a taxa dos atuais 13,75% para 13,50% ao ano.
Caso a previsão se confirme, será o sexto corte consecutivo promovido pelo Banco Central desde o início do atual ciclo de flexibilização monetária, em março deste ano. A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, alcançando o maior patamar em quase duas décadas. Desde então, a autoridade monetária iniciou uma trajetória gradual de redução dos juros.
Entretanto, as expectativas dos agentes financeiros não são unânimes. Nos últimos dias, parte do mercado passou a considerar mais provável a manutenção da taxa em 13,75%, diante do aumento das incertezas fiscais e da deterioração das expectativas de inflação. Levantamento divulgado pela CNN Brasil em 2 de novembro mostrou uma mudança significativa nas projeções dos investidores, com maior preferência pela manutenção dos juros.
Entre os fatores que influenciam a decisão está o comportamento da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,32% em outubro. Apesar da desaceleração em relação ao mês anterior, o indicador acumulou 4,62% em 12 meses, ultrapassando o limite superior de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.
O cenário externo também representa um desafio para a política monetária. A recente valorização do dólar, as oscilações nos preços internacionais do petróleo e as tensões geopolíticas podem elevar os custos de produtos e serviços no Brasil. Além disso, o aumento dos gastos públicos e os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a produção agrícola são acompanhados com atenção pelos responsáveis pela política econômica.
Outro ponto de preocupação é a composição do Copom. O comitê enfrenta a ausência de dois diretores cujos mandatos terminaram no final de 2025: Renato Gomes, da área de Organização do Sistema Financeiro, e Diego Guillen, da Política Econômica. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não havia encaminhado ao Congresso Nacional as indicações para os respectivos substitutos.
A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros aumentam, o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo o consumo e os investimentos. Em contrapartida, a redução da taxa pode favorecer o financiamento, estimular a atividade econômica e ampliar o acesso de empresas e consumidores ao crédito.
A decisão desta quarta-feira será anunciada no início da noite e deverá oferecer novos sinais sobre os próximos passos da política monetária. A última reunião do Copom em 2026 está prevista para dezembro, quando o colegiado poderá avaliar novamente as condições econômicas e as perspectivas para a inflação no país.

