Mercados brasileiros recuperam fôlego com cenário político dos EUA e expectativa sobre juros
Mercado acompanha os efeitos das eleições legislativas americanas e aguarda a decisão do Banco Central sobre a Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

O mercado financeiro brasileiro registrou uma sessão de recuperação nesta quarta-feira (4), com queda do dólar e valorização da Bolsa de Valores. A moeda norte-americana recuou para a faixa de R$ 5,45, enquanto o Ibovespa, principal indicador da B3, avançou mais de 1%, interrompendo uma sequência de seis pregões consecutivos de perdas. O movimento foi influenciado pelo resultado das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como *midterms*, e pela expectativa em torno da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros brasileira.
No mercado cambial, o dólar à vista chegou a registrar queda de aproximadamente 0,65%, sendo negociado a R$ 5,45. A desvalorização acompanhou o enfraquecimento da moeda norte-americana no cenário internacional, após o Partido Democrata conquistar maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos, impondo uma derrota política ao presidente Donald Trump.
O resultado eleitoral foi recebido positivamente pelos investidores internacionais, que passaram a avaliar possíveis mudanças na relação entre o governo norte-americano e o Congresso. A perspectiva de maior equilíbrio político também contribuiu para reduzir parte das incertezas que vinham influenciando os mercados.
O movimento favorável no exterior refletiu-se nas principais bolsas internacionais. Em Nova York, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operavam em alta, acompanhando a reação dos investidores ao resultado das eleições legislativas.
No Brasil, o Ibovespa chegou à região dos 167 mil pontos, impulsionado principalmente pelas ações de grandes empresas, instituições financeiras e companhias do setor de mineração. A recuperação ocorreu depois de seis sessões consecutivas de queda, período em que a Bolsa acumulou perdas significativas em meio às preocupações com o cenário político e fiscal brasileiro.
Entretanto, nem todas as empresas acompanharam a valorização do índice. As ações da Petrobras registraram perdas, pressionadas pela queda dos preços internacionais do petróleo. A desvalorização da commodity também influenciou as expectativas dos investidores em relação ao desempenho do setor de energia.
Outro fator de atenção foi a reunião do Copom, que anuncia nesta quarta-feira sua decisão sobre a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A expectativa predominante entre os participantes do mercado financeiro passou a ser de manutenção dos juros, interrompendo temporariamente o ciclo de cortes iniciado em março.
Uma pesquisa do BTG Pactual com 54 participantes do mercado mostrou que 77,8% esperavam a manutenção da taxa. Já um levantamento da XP Investimentos com gestores de fundos multimercado indicou que 75% também apostavam nessa possibilidade. Apesar disso, parte dos economistas ainda considerava possível uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 13,50%.
A mudança nas expectativas está relacionada principalmente às preocupações com a inflação, à política fiscal e à trajetória das contas públicas. O mercado também acompanha os efeitos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre as perspectivas econômicas para os próximos anos.
O Boletim Focus divulgado na terça-feira (3) apresentou revisões nas projeções dos economistas para a inflação e os juros de 2027. A estimativa para a Selic no encerramento do próximo ano passou de 11,75% para 12,50%, enquanto a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 1,31% para 1,20%.
Além da decisão sobre os juros, os investidores aguardam o comunicado do Banco Central para identificar possíveis indicações sobre os próximos movimentos da política monetária. Uma sinalização de manutenção prolongada dos juros elevados poderá influenciar os investimentos, o crédito e o desempenho das empresas.
Os resultados corporativos também contribuíram para movimentar a Bolsa. O Itaú Unibanco divulgou lucro líquido recorrente de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho ajudou a sustentar as ações do setor bancário durante o pregão.
A combinação entre fatores internacionais e domésticos demonstra que os investidores continuam atentos tanto às decisões políticas nos Estados Unidos quanto aos rumos da economia brasileira. A trajetória do dólar, o comportamento da inflação e as definições do Banco Central deverão permanecer entre os principais elementos de influência sobre os mercados financeiros nas próximas semanas.

