Redes Criminosas Ameaçam A Amazônia E Povos Indígenas Cobram Ação Global
Representantes de Brasil, Colômbia, Equador e Peru defendem participação nas decisões internacionais e proteção das comunidades ameaçadas pela criminalidade organizada.

Lideranças indígenas de Brasil, Colômbia, Equador e Peru estão levando à Organização das Nações Unidas (ONU) um apelo por medidas internacionais mais efetivas contra as redes criminosas que atuam na Amazônia. A mobilização ocorre durante a 13ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (COP13), realizada em Viena, na Áustria, entre 19 e 23 de outubro de 2026.
Mais de uma dezena de representantes indígenas participam das discussões para exigir ações contra a mineração ilegal, o tráfico de drogas e o desmatamento associados ao crime organizado. O grupo também defende que os povos originários tenham maior participação nas decisões internacionais sobre segurança e proteção ambiental.
A iniciativa é coordenada com o apoio da organização Amazon Watch, que acompanha as negociações e defende o reconhecimento das comunidades indígenas como parceiras fundamentais no enfrentamento das atividades criminosas.
Crimes ambientais e violência contra comunidades
A expansão dessas atividades ameaça as florestas, contamina rios e compromete os territórios tradicionais. Além dos danos ambientais, as comunidades enfrentam intimidações, ameaças e violência por parte de grupos que disputam o controle de áreas utilizadas para atividades ilegais.
O problema também ultrapassa as fronteiras amazônicas. A comercialização internacional de ouro extraído ilegalmente e o tráfico de drogas ajudam a sustentar redes que conectam os territórios da floresta a mercados externos. Por isso, as lideranças defendem que as medidas de combate não se limitem às operações policiais locais, mas alcancem também os recursos financeiros e as cadeias comerciais que alimentam essas atividades.
Mais de cem defensores ambientais foram assassinados na América Latina em 2025. O número evidencia os riscos enfrentados por pessoas que atuam na proteção de seus territórios e na denúncia de crimes ambientais.
Lideranças pedem participação nas decisões da ONU
Entre as principais reivindicações está o reconhecimento das guardas territoriais indígenas e o fortalecimento dos direitos sobre as terras ancestrais. Essas estruturas comunitárias desempenham funções de vigilância e proteção diante da presença de grupos criminosos.
A delegação também quer participar efetivamente das negociações de um possível novo protocolo internacional vinculado à convenção da ONU, voltado especificamente aos crimes que afetam o meio ambiente. A proposta busca ampliar a cooperação entre países para investigar, prevenir e responsabilizar os envolvidos nessas atividades.
A Amazon Watch destaca que a proteção dos territórios indígenas precisa integrar as estratégias internacionais de segurança. A organização também defende que os governos considerem os mecanismos de autoproteção desenvolvidos pelas próprias comunidades, em vez de depender exclusivamente de respostas militarizadas.
A conferência de Viena representa, portanto, uma oportunidade para discutir novas formas de cooperação internacional. As decisões sobre a abertura de negociações para um protocolo ambiental poderão influenciar os próximos passos do combate ao crime organizado transnacional e a participação dos povos indígenas nesse processo.
Para as lideranças amazônicas, enfrentar as redes criminosas exige não apenas fiscalizar a floresta, mas também proteger quem vive nela e atua diretamente na defesa de seus territórios.

