Milei
Rogério Tomaz Jr. teve residência permanente cancelada por criticar Milei Bastien Ohier / Hans Lucas / AFP via Getty Images

O jornalista e escritor brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, ao desembarcar no Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires. As autoridades migratórias cancelaram sua residência permanente e determinaram a proibição de ingresso no país pelos próximos cinco anos.

Tomaz Jr. pretendia realizar entrevistas com dirigentes políticos e especialistas para um livro sobre o presidente argentino, Javier Milei, cuja publicação está prevista para 2027. O brasileiro mantém um histórico de críticas ao governo argentino nas redes sociais e relaciona a medida às suas posições políticas. Essa interpretação, porém, não corresponde à justificativa oficial apresentada pelas autoridades.

Governo Alega Descumprimento Das Regras Migratórias

A Direção Nacional de Migrações da Argentina justificou o cancelamento da residência permanente por supostas irregularidades nas condições exigidas para sua manutenção. Segundo informações divulgadas sobre o procedimento administrativo, o órgão constatou que Tomaz Jr. permaneceu apenas 153 dias em território argentino desde que obteve a residência, em janeiro de 2022.

As autoridades também apontaram a ausência de atividade profissional e de estudos formais no país, além de divergências relacionadas ao endereço informado em seu registro migratório. A decisão administrativa foi assinada em 5 de agosto de 2026, mas o jornalista afirmou que só tomou conhecimento da medida quando chegou ao controle de imigração do aeroporto.

Ao apresentar seu documento argentino, correspondente à residência permanente, ele foi encaminhado a uma área de supervisão. Posteriormente, recebeu a comunicação de que não poderia entrar no país e deveria retornar ao Brasil.

A decisão foi fundamentada na legislação migratória argentina, alterada pelo Decreto 366/2025. A norma prevê o cancelamento da residência em determinadas circunstâncias e estabelece consequências para casos de expulsão, incluindo restrições ao retorno.

Jornalista Suspeita De Motivação Política

Tomaz Jr. considera que suas críticas a Milei podem ter influenciado a decisão. Sua atuação pública inclui manifestações contrárias ao presidente argentino e a integrantes de seu governo. O brasileiro também é associado ao Partido dos Trabalhadores (PT), ligado ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

A suspeita de motivação política, entretanto, deve ser distinguida dos fundamentos administrativos apresentados pelo governo argentino. As autoridades migratórias afirmaram que a medida decorreu do descumprimento das condições de residência, e não de suas opiniões políticas.

O episódio também teve repercussão nas redes sociais, onde houve troca de mensagens entre o jornalista e Santiago Caputo, assessor presidencial argentino. Caputo comentou o caso, e Tomaz Jr. respondeu publicamente.

Após ser impedido de entrar na Argentina, o brasileiro poderá recorrer à Justiça para tentar reverter a decisão, conforme as informações divulgadas sobre o procedimento. A proibição de ingresso permanece estabelecida por cinco anos, enquanto não houver alteração da medida pelas vias legais.