Flávio Bolsonaro agradece a Trump e Milei
Flávio Bolsonaro agradece a Trump e Milei após deixar o Brasil e contesta resultado eleitoral Carlos Moura/Carlos Moura/Agência Senado

Em carta divulgada nos Estados Unidos, o senador agradeceu aos presidentes norte-americano e argentino e alegou, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição. O Tribunal Superior Eleitoral afirmou que a votação ocorreu dentro da normalidade.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta nos Estados Unidos na qual agradece ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei, pelo apoio que afirma ter recebido após deixar o Brasil. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, o parlamentar também contestou o resultado da votação, mas não apresentou provas que sustentem sua alegação de fraude.

A publicação ocorreu depois de Flávio viajar para os Estados Unidos com a mulher e as duas filhas. A saída do país aconteceu após uma sequência de deslocamentos internacionais, em meio a questionamentos judiciais e investigações que envolvem o senador. Segundo a cobertura da Agência Brasil, ele atravessou a fronteira com a Argentina por Foz do Iguaçu, no Paraná, antes de seguir em avião particular para o Equador e, posteriormente, para os Estados Unidos.

A carta teve alterações pouco depois de sua divulgação. Na primeira versão, Flávio se descreveu como o "verdadeiro presidente eleito". Cerca de meia hora depois, o texto foi modificado para apresentá-lo como "líder do Brasil". A mudança é relevante porque a eleição já havia sido concluída e o resultado oficial apontou a vitória de Lula.

No documento, o senador questionou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin de estender o horário de votação até as 19h. A medida, segundo a Agência Brasil, atendeu a pedidos das campanhas do PL e do PT. A existência dessa extensão, por si só, não comprova fraude eleitoral: a alegação do parlamentar precisa ser distinguida de evidências verificáveis sobre o processo de votação.

Em resposta às declarações, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que as eleições de 2026 transcorreram dentro da normalidade e em respeito às normas legais e constitucionais. O magistrado também destacou que a vontade expressa pelos eleitores deve ser respeitada. A posição institucional contrasta com a acusação feita por Flávio.

De acordo com os números divulgados pelo TSE e reproduzidos pela Agência Brasil, Lula recebeu aproximadamente 64 milhões de votos, enquanto Flávio obteve pouco mais de 59 milhões. Cerca de 158,7 milhões de brasileiros estavam aptos a votar. A extensão do horário de votação contabilizou 34.393 votos, número que, isoladamente, não demonstra irregularidade no resultado.

A permanência de Flávio nos Estados Unidos também se relaciona ao cenário judicial. A cobertura jornalística informa que o senador é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal, incluindo apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas e sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de seu pai. As suspeitas não equivalem a condenações.

A carta sinaliza que Flávio pretende conduzir a oposição a partir dos Estados Unidos. Ainda não está claro como essa estratégia será organizada na prática nem quais consequências institucionais terá. Por ora, o episódio reúne três elementos distintos: a derrota eleitoral, as alegações do senador sobre o pleito e a posição oficial da Justiça Eleitoral, que sustenta a regularidade da votação.