Leilão do Eco Invest reúne R$ 30 bilhões, mas falta de áreas e de projetos prontos atrasa liberação do crédito
Escassez de áreas elegíveis, projetos estruturados e informações para os bancos estão entre os principais obstáculos à liberação dos recursos aos produtores.

O segundo leilão do Eco Invest Brasil, voltado ao financiamento da recuperação de áreas degradadas, soma R$ 30 bilhões em recursos, mas a liberação do dinheiro aos produtores avança num ritmo menor que o esperado. De acordo com a reportagem do Juruá 24 Horas, os principais entraves são a escassez de áreas elegíveis, a falta de projetos estruturados e a ausência de informações que deem segurança às instituições financeiras para liberar o crédito.
Como funciona o programa
O Eco Invest é coordenado pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com liderança do Tesouro Nacional nos leilões. O programa usa o modelo de blended finance, que combina capital público e privado. No segundo leilão, 11 instituições financeiras participaram e 10 foram selecionadas. Elas receberam R$ 16,5 bilhões em capital catalítico e se comprometeram a levar mais R$ 13,7 bilhões do setor privado, o que chega a R$ 30,2 bilhões. A meta é restaurar cerca de 1,4 milhão de hectares, área equivalente a nove vezes o território da capital paulista.
Os recursos podem ser aplicados na recuperação de áreas degradadas, independentemente de o uso anterior ter sido agrícola ou pecuário.
Onde está o gargalo
Para uma representante da Produzindo Certo, o obstáculo central está na etapa anterior ao crédito: faltam áreas que se enquadrem, projetos prontos e dados suficientes para que os bancos operem com confiança. A iniciativa acompanha cerca de 40 projetos ligados ao Eco Invest 2, em diferentes estágios, que somam aproximadamente R$ 5 bilhões em crédito solicitado.
A organização trabalha para criar mecanismos que levem os recursos a mais produtores e tornem economicamente viável a recuperação de áreas degradadas. Ela informa que ainda há dinheiro disponível para contratação e desembolso. Os interessados devem procurar as instituições financeiras para conhecer as condições e verificar se a propriedade pode ser enquadrada.
Mudança nas regras
O diagnóstico de baixa maturidade dos projetos já era conhecido pelo governo. Em março, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou alterações na linha Eco Invest para fortalecer a estruturação de projetos sustentáveis. Pelas novas regras, bancos credenciados podem ser obrigados a investir recursos próprios em capacitação, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e estruturação de projetos. Segundo o governo, a medida busca enfrentar a baixa maturidade técnica e financeira de projetos elegíveis, aumentar a qualidade da carteira e estimular o capital privado.
Resultados até agora
O programa encerrou 2025 com R$ 75 bilhões em capitais levantados, dos quais R$ 14 bilhões se transformaram em financiamentos concedidos. A diferença entre o volume mobilizado e o efetivamente contratado ajuda a explicar o debate atual sobre a lentidão no desembolso.
Para dar mais transparência, o Tesouro Nacional lançou o Monitor Eco Invest Brasil, plataforma que reúne dados sobre os projetos financiados, como localização, volume de recursos, eixos atendidos e estágio de implementação.

