Investimento Por Aluno No Brasil Fica Abaixo Da OCDE
Apesar do menor gasto por estudante, país destina 4,5% do PIB à educação, acima da média de 4% da organização

O investimento por aluno no Brasil permanece abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo o relatório Education at a Glance 2026, divulgado pela organização em 29 de setembro. O estudo reúne indicadores sobre escolaridade, trajetória dos estudantes, professores e recursos destinados à educação.
De acordo com a OCDE, o gasto público por estudante, considerando da educação básica à superior, foi de US$ 4.133 no Brasil em 2023, enquanto a média dos países da organização chegou a US$ 13.601 no mesmo período, considerando valores ajustados pela paridade do poder de compra. O indicador brasileiro corresponde a cerca de um terço da média da OCDE.
Apesar da diferença no gasto por estudante, o relatório mostra que a participação do investimento público brasileiro em relação ao tamanho da economia é superior à média da organização. Em 2023, o gasto governamental brasileiro com instituições de educação, da etapa primária ao ensino superior, correspondeu a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4% na média da OCDE.
Escolaridade Também Apresenta Diferenças
O levantamento aponta que 22% dos brasileiros de 25 a 64 anos tinham formação superior em 2024, percentual inferior aos 43% registrados na média da OCDE. Já a parcela da população nessa faixa etária com ensino médio ou formação pós-secundária não superior era de 40% no Brasil, próxima à média de 39% da organização.
Entre os jovens de 25 a 34 anos, houve avanço na conclusão da educação básica. A proporção daqueles que não haviam alcançado o ensino médio caiu de 35% em 2016 para 26% em 2024, segundo o relatório. Ainda assim, o indicador permanece acima da média de 12% registrada nos países da OCDE em 2025.
No ensino médio brasileiro, 79% dos novos estudantes concluem um programa geral ou profissionalizante até dois anos depois do prazo teórico para conclusão. Nesse período, 1% continua matriculado e 20% abandonaram os estudos sem obter a certificação. A taxa de conclusão também apresenta diferença entre os gêneros: as mulheres têm uma probabilidade sete pontos percentuais maior de concluir essa etapa do que os homens.
Os dados apresentados pela OCDE permitem observar, portanto, tanto o volume de recursos destinados à educação quanto os resultados relacionados à escolaridade e à progressão dos estudantes no Brasil. O relatório também reúne indicadores sobre professores, condições de aprendizagem e organização do sistema educacional.

