Santander Brasil Registra Queda De 28% No Lucro Trimestral
Banco registra lucro de R$ 2,885 bilhões, com alta nas provisões e queda na rentabilidade, apesar do crescimento da carteira de crédito.

O Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (28), reflete as dificuldades enfrentadas pela instituição em um cenário de crédito mais arriscado, com maior necessidade de reservas para cobrir possíveis inadimplências.
Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o lucro também recuou, com redução de 4,3%. Já o resultado contábil, que considera efeitos não recorrentes, ficou em R$ 2,833 bilhões. Os números mostram pressão sobre a rentabilidade do banco, apesar da expansão da carteira de crédito.
Inadimplência Pressiona As Provisões
Um dos principais fatores por trás do resultado foi o aumento das provisões para devedores duvidosos (PDD), recursos que os bancos reservam para cobrir perdas decorrentes de empréstimos não pagos. No terceiro trimestre, essas despesas somaram R$ 7,46 bilhões, alta de 14,4% em relação ao mesmo período de 2025.
O índice de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias chegou a 3,4% da carteira de crédito, avanço de 0,6 ponto percentual em 12 meses. Entre os clientes pessoas físicas, a taxa alcançou 5,5%, refletindo dificuldades mais acentuadas em segmentos como o de consumidores de menor renda.
Nas operações com empresas, o comportamento foi diferente. A inadimplência das pequenas e médias empresas recuou no trimestre, enquanto a taxa geral do segmento empresarial também apresentou melhora. Ainda assim, o volume elevado de provisões continua afetando o resultado financeiro da instituição.
Rentabilidade Diminui, Mas Crédito Cresce
A rentabilidade do Santander Brasil, medida pelo retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), ficou em 11,9% no terceiro trimestre. O indicador havia alcançado 17,5% no mesmo período de 2025, uma redução de 5,6 pontos percentuais em um ano.
A margem financeira bruta, que representa a diferença entre receitas e despesas financeiras, totalizou R$ 14,96 bilhões, queda de 1,6% na comparação anual. Esse desempenho também contribuiu para limitar o crescimento dos resultados.
Apesar das pressões, a carteira de crédito ampliada atingiu R$ 721,26 bilhões no fim de setembro, crescimento de 4,7% em 12 meses. O avanço indica que o banco manteve a expansão das operações, embora a concessão de empréstimos dependa da avaliação de risco dos clientes.
Para famílias e empresas, a evolução da inadimplência e das provisões é um indicador relevante porque pode influenciar a seletividade das instituições na oferta de crédito e as condições de financiamento.

