Banco Central aponta aumento da inadimplência entre famílias e desaceleração do crédito, mas avalia que as instituições financeiras continuam preparadas para enfrentar perdas
Banco Central aponta aumento da inadimplência entre famílias e desaceleração do crédito, mas avalia que as instituições financeiras continuam preparadas para enfrentar perdas afp_tickers

O Banco Central do Brasil (BC) avalia que o sistema financeiro nacional permanece estável e não apresenta riscos relevantes à sua segurança, apesar do avanço da inadimplência e do endividamento das famílias. A conclusão consta do Relatório de Estabilidade Financeira referente ao primeiro semestre de 2026, divulgado pela autoridade monetária em maio e que aponta desafios crescentes para o mercado de crédito brasileiro.

Segundo o documento, os bancos mantêm níveis adequados de capitalização, liquidez e provisões para cobrir perdas esperadas. Os testes de estresse realizados pelo Banco Central também indicam que as instituições financeiras possuem capacidade para enfrentar cenários econômicos adversos, reduzindo o risco de que dificuldades individuais provoquem uma crise generalizada no setor.

Apesar dessa avaliação, a autoridade monetária demonstra preocupação com a deterioração da capacidade de pagamento de parte dos consumidores. A inadimplência das famílias aumentou em diferentes modalidades de crédito, especialmente no cartão de crédito e no financiamento de veículos. O crédito estudantil também apresentou crescimento dos atrasos, após mudanças que aproximaram os indicadores dos níveis anteriores à pandemia.

O relatório destaca que o avanço dos empréstimos problemáticos exige atenção, principalmente entre as famílias de menor renda, que possuem menos recursos para absorver aumentos nos custos financeiros. Juros elevados e comprometimento crescente da renda com o pagamento de dívidas dificultam a regularização dos débitos e podem restringir o acesso a novos financiamentos.

Outro ponto de atenção é a desaceleração do crédito bancário. O crescimento dos empréstimos às famílias e às empresas perdeu força, acompanhando condições financeiras mais restritivas e a moderação da atividade econômica. Nas empresas, a disponibilidade de recursos também varia conforme o porte, com condições mais desafiadoras para pequenos e médios negócios.

Enquanto o crédito bancário desacelera, o mercado de capitais continua representando uma fonte importante de financiamento para empresas, com expansão superior à registrada pelos empréstimos tradicionais. Essa mudança amplia as alternativas de captação, mas também exige acompanhamento dos riscos associados às diferentes formas de financiamento.

A rentabilidade das instituições financeiras permanece robusta, embora existam pressões decorrentes das condições econômicas e da possibilidade de aumento das perdas com inadimplência. As provisões constituídas pelos bancos, segundo o BC, continuam compatíveis com as estimativas de perdas esperadas, contribuindo para preservar a capacidade de absorver choques.

A autoridade monetária também acompanha a concessão de crédito sem garantias, modalidade que pode representar riscos maiores quando os tomadores enfrentam dificuldades financeiras. A preocupação envolve tanto a qualidade das novas operações quanto a capacidade dos consumidores de administrar o conjunto de suas obrigações.

O cenário reforça a necessidade de prudência por parte das instituições financeiras e dos consumidores. Para os bancos, o desafio é equilibrar a oferta de crédito com critérios adequados de avaliação de risco. Para as famílias, o aumento do custo das dívidas pode comprometer o orçamento e reduzir a capacidade de consumo.