Tesouro reforça intervenção no mercado de títulos após turbulência financeira
Operação envolverá títulos indexados à inflação com vencimentos entre 2030 e 2045; edital definirá as condições do leilão.

O Tesouro Nacional anunciou nesta terça-feira (27) uma nova operação de recompra de títulos públicos federais para ajudar a conter oscilações no mercado financeiro. A iniciativa abrange Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), títulos corrigidos pela inflação, com vencimentos previstos para 2030, 2035, 2040 e 2045. As condições do leilão serão divulgadas em edital no site oficial da instituição.
A operação foi autorizada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em meio à instabilidade registrada nos mercados após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Na segunda-feira (26), o Tesouro já havia recomprado mais de R$ 14,8 bilhões em títulos públicos, em duas operações destinadas a reduzir as pressões observadas nas negociações.
A nova medida faz parte da atuação extraordinária do governo para preservar o funcionamento do mercado de dívida pública. Quando os investidores tentam vender grandes volumes de títulos ao mesmo tempo, os preços desses papéis podem cair e suas taxas de remuneração subir. Esse movimento pode encarecer a captação de recursos pelo governo e provocar impactos sobre outras operações financeiras.
Ao recomprar títulos, o Tesouro atua como comprador no mercado, oferecendo uma alternativa aos investidores que desejam vender seus papéis. A operação pode ajudar a reduzir desequilíbrios entre compradores e vendedores, embora não garanta, por si só, uma queda duradoura das taxas de juros.
Em declaração a jornalistas, em Brasília, Durigan afirmou que novas intervenções seriam autorizadas conforme as condições do mercado e a necessidade de atuação do governo federal. O ministro classificou as oscilações recentes como ajustes de posições dos investidores diante do resultado eleitoral e disse esperar que as negociações recuperem maior estabilidade.
Além da recompra de NTN-B, a Secretaria do Tesouro Nacional anunciou o cancelamento do próximo leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), conhecidas como Tesouro Selic. Esses títulos têm remuneração vinculada à taxa básica de juros da economia brasileira. O cancelamento se soma à suspensão de outras ofertas regulares de títulos públicos prevista para a semana.
As NTN-B, por sua vez, são títulos cuja remuneração acompanha a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acrescida de uma taxa de juros definida na compra. Por isso, são utilizadas por investidores que buscam proteger parte do patrimônio contra a inflação e obter rendimentos no longo prazo.
A nova operação contempla quatro vencimentos: 15 de agosto de 2030, 15 de maio de 2035, 15 de agosto de 2040 e 15 de maio de 2045. O volume financeiro previsto e os preços de recompra dependerão das condições estabelecidas no edital do leilão.
A reação dos mercados está relacionada, em parte, à revisão das expectativas dos investidores após o resultado das eleições. Segundo Durigan, a mudança nas posições financeiras pode provocar desajustes temporários, e a atuação do Tesouro busca contribuir para que as negociações ocorram de maneira ordenada.
O ministro também destacou que a intenção da equipe econômica não é determinar preços específicos para os ativos, mas evitar movimentos excessivos que prejudiquem o funcionamento do mercado. A expectativa do governo é que, com a redução das oscilações, os investidores voltem a negociar títulos com base nas condições econômicas e nas perspectivas para as contas públicas.
A medida será acompanhada pelo Tesouro Nacional, que poderá avaliar novas intervenções conforme a evolução das negociações. O efeito das operações dependerá da reação dos investidores, das expectativas para a política econômica e das condições gerais do mercado financeiro.

