Projeto Reúne 35 Grupos Para Estudar Algas e Mudanças Climáticas
Iniciativa financiada pela FAPESP terá duração de até sete anos e prevê expedições do litoral brasileiro à Antártica

Um projeto científico liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) reúne 35 grupos de pesquisa do Brasil e do exterior para investigar como as mudanças climáticas estão afetando as macroalgas e os ecossistemas marinhos. A iniciativa, denominada Algas & Clima, abrange regiões que vão do litoral brasileiro à Antártica e pretende identificar alterações na biodiversidade, mudanças na distribuição das espécies e possíveis aplicações desses organismos na saúde e na biotecnologia.
Coordenado pelo professor Pio Colepicolo, do Instituto de Química da USP, e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o projeto deverá durar até sete anos. Durante esse período, os pesquisadores realizarão expedições e coletas em diferentes ambientes marinhos, incluindo áreas do litoral brasileiro, canais do sul do Chile e regiões antárticas.
As macroalgas desempenham funções importantes nos oceanos: contribuem para a produção de oxigênio, participam do ciclo do carbono e servem de alimento e abrigo para diversas espécies. Além disso, podem funcionar como indicadores ambientais, uma vez que respondem a alterações na temperatura, na acidez da água e à presença de poluentes.
Uma das principais linhas de investigação busca comparar registros atuais com levantamentos realizados anteriormente. O objetivo é verificar se o aquecimento dos oceanos, a acidificação da água e a atividade humana provocaram mudanças na quantidade e na distribuição das espécies. Na Antártica, por exemplo, o derretimento das geleiras introduz grandes volumes de água doce no mar, modificando condições como salinidade, temperatura e pH, fatores que podem comprometer a sobrevivência de determinados organismos e favorecer o deslocamento de outros.
A primeira expedição do projeto partiu de Florianópolis em 26 de outubro, a bordo do veleiro ECO, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Outras viagens estão previstas para o canal de Beagle, no sul do Chile, e para a Antártica. Nesta última região, os pesquisadores pretendem avançar para áreas além do Círculo Polar Antártico, ampliando o estudo da biodiversidade em condições climáticas extremas.
A pesquisa também pretende sequenciar o genoma da macroalga antártica Phaeurus antarcticus, a fim de compreender seus mecanismos de adaptação e avaliar seu potencial como indicador ambiental. Paralelamente, equipes investigarão substâncias produzidas por essas algas que possam apresentar atividade contra agentes patogênicos. Uma das frentes avaliará compostos com potencial de ação contra a Leishmania, parasita responsável pela leishmaniose. Os resultados ainda estão em fase de investigação laboratorial e não representam tratamentos disponíveis.
Além da pesquisa científica, a iniciativa prevê atividades com comunidades costeiras. No Rio Grande do Norte, estão planejadas parcerias com associações de maricultoras de Rio do Fogo e Pitangui para estudar o cultivo de algas com componentes de interesse. A proposta busca aproximar a pesquisa da produção em mar aberto e explorar possibilidades de geração de renda.
Com a participação de instituições brasileiras e parceiros do Chile, Estados Unidos, França e Canadá, o projeto pretende ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade oceânica e produzir informações que contribuam para a conservação dos ambientes marinhos e o uso sustentável de seus recursos.

