Governo federal mobiliza reforços para conter queimadas e reduzir fumaça no Amazonas
Reforço federal ocorre em meio à piora da qualidade do ar na capital e em mais de 20 municípios afetados pela fumaça das queimadas.

O governo federal anunciou o reforço das operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas, com o envio de brigadistas e aeronaves para enfrentar os focos de fogo que atingem o estado. A medida ocorre em meio à deterioração da qualidade do ar em Manaus e em mais de 20 municípios, onde a fumaça das queimadas afeta a rotina da população e aumenta os riscos à saúde.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em 9 de outubro de 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disponibilizará seis aeronaves adicionais para as operações: quatro aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água, e dois helicópteros. O reforço inclui ainda 290 brigadistas para atuar no combate aos incêndios.
O anúncio ocorre em um momento crítico da temporada de queimadas, agravado pela estiagem e pela vegetação ressecada, condições que favorecem a propagação das chamas. De acordo com o MMA, desde o início da temporada, o Ibama havia extinguido 229 incêndios no Amazonas e continuava combatendo outros 20 focos ativos.
A mobilização federal também envolve o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), responsável pela articulação de medidas de proteção e defesa civil. Em 9 de outubro, a pasta informou que havia solicitado ao Ministério da Defesa duas aeronaves para apoiar as operações nas áreas mais críticas. O pedido incluía pilotos, combustível e autonomia de voo para permitir o deslocamento e a atuação dos equipamentos.
Fumaça prejudica a qualidade do ar
A situação em Manaus se agravou ao longo da semana. Na sexta-feira (9), a prefeitura suspendeu as aulas da rede municipal e as atividades presenciais em órgãos administrativos devido à elevada concentração de partículas poluentes na atmosfera. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também suspenderam atividades presenciais.
Segundo dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da UEA, a concentração de material particulado chegou a aproximadamente 196,4 microgramas por metro cúbico na sexta-feira. Na manhã de sábado (10), o índice alcançou 209 microgramas por metro cúbico, nível considerado péssimo para a qualidade do ar.
A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, agravar doenças pulmonares e causar outros problemas de saúde. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis. A Defesa Civil recomendou que a população evite atividades ao ar livre e utilize máscaras adequadas, como as do tipo PFF2, quando precisar sair de casa.
Desafio de conter o avanço do fogo
O governo estadual também mantém ações de combate às queimadas. Entre as medidas adotadas está a proibição do uso do fogo no Amazonas por 120 dias, com exceções previstas na legislação. A administração estadual informou ainda ter ampliado o número de bases permanentes de bombeiros no interior e reforçado o efetivo mobilizado nas operações.
Apesar dos esforços, a extensão territorial do Amazonas e a distribuição dos focos de incêndio dificultam a resposta das equipes. As autoridades também investigam e fiscalizam o uso irregular do fogo, apontado como uma das principais causas dos incêndios florestais.
A intensificação das operações busca reduzir os focos ativos, proteger as comunidades e limitar os danos ambientais. A persistência da fumaça, porém, demonstra que o combate imediato precisa ser acompanhado de prevenção, fiscalização e planejamento para os períodos de estiagem.

