China reafirma oposição à venda de armas dos Estados Unidos para Taiwan
Pequim pediu que Washington cumpra os entendimentos bilaterais e mantenha cautela sobre Taiwan; a ilha deve receber 66 aeronaves em contrato de US$ 8 bilhões.

Pequim reagiu à chegada dos primeiros caças F-16V americanos a Taiwan e voltou a pedir que Washington interrompa o fornecimento militar à ilha
A China voltou a declarar nesta terça-feira (6) sua oposição à venda de armas dos Estados Unidos para Taiwan, depois de a ilha receber os primeiros caças F-16V Block 70 adquiridos de Washington. O Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que a posição de Pequim permanece inalterada e pediu que os Estados Unidos cumpram os entendimentos firmados entre os dois governos e atuem com cautela em relação à questão de Taiwan.
A manifestação ocorreu após Taiwan receber dois dos novos F-16V e informar que outros 64 devem chegar ao longo do ano. A entrega faz parte de um contrato firmado entre Taiwan e os Estados Unidos e ocorre em um momento de tensão nas relações entre Washington e Pequim.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou em entrevista coletiva que Pequim "permanece firmemente oposta" às vendas de armas americanas para Taiwan. A declaração foi dada em resposta a perguntas sobre a chegada dos caças.
Os dois primeiros F-16V Block 70 chegaram a Taiwan em 2 de outubro. O país deve receber um total de 66 aeronaves do modelo, em um contrato avaliado em cerca de US$ 8 bilhões. A entrega havia enfrentado atrasos relacionados a questões de produção e software.
A aeronave representa uma atualização da capacidade de defesa aérea de Taiwan. O governo taiwanês agradeceu o apoio americano e afirmou que a cooperação de defesa com Washington continua.
Os Estados Unidos são o principal fornecedor internacional de armas de Taiwan, embora Washington e Taipei não mantenham relações diplomáticas formais. A legislação americana estabelece compromissos de apoio à capacidade de autodefesa da ilha.
Além dos F-16V, existe um possível novo pacote de armas avaliado em aproximadamente US$ 14 bilhões cuja aprovação permanece pendente. Segundo a Reuters, a administração americana tem discutido o tema em meio à tentativa de manter um equilíbrio diplomático nas relações com a China.
A China considera Taiwan parte de seu território e se opõe à venda de equipamentos militares americanos para a ilha. A posição não é nova. Em maio, o Ministério das Relações Exteriores chinês já havia declarado que a oposição às vendas de armas americanas para Taiwan era "firme" e conhecida.
Em setembro, Pequim também anunciou contramedidas contra empresas militares americanas e executivos envolvidos, segundo o governo chinês, em atividades de fornecimento de armas para Taiwan. Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores chinês voltou a pedir que Washington interrompesse o armamento da ilha.
A declaração de outubro segue essa mesma linha. Pequim também pediu que os Estados Unidos observem o princípio de "uma só China" e os comunicados conjuntos assinados entre os dois países.
O governo chinês considera a questão de Taiwan um assunto interno e afirma que qualquer interferência externa é inaceitável. Essa é a posição oficial de Pequim e não representa uma avaliação independente sobre o status político da ilha.
Washington e Taipei mantêm cooperação militar
Enquanto Pequim protesta contra as vendas, Taiwan mantém sua política de fortalecimento das capacidades militares. O ministro da Defesa taiwanês, Wellington Koo, declarou que não havia recebido informação oficial sobre uma eventual divisão do novo pacote de US$ 14 bilhões em partes menores e afirmou que o compromisso americano com a autodefesa de Taiwan permanece.
Taiwan também desenvolve programas próprios de defesa, incluindo submarinos, ao mesmo tempo em que continua dependendo de equipamentos fornecidos pelos Estados Unidos.
A chegada dos F-16V, portanto, ocorre em duas frentes simultâneas: de um lado, Taiwan amplia suas capacidades militares com equipamentos americanos; de outro, Pequim reforça publicamente sua oposição a esse tipo de cooperação.
Relação entre China e Estados Unidos
A questão de Taiwan continua sendo um dos pontos mais sensíveis da relação entre China e Estados Unidos. Os dois governos também mantêm conversas sobre outros temas estratégicos, incluindo controle de armas nucleares e possíveis visitas recíprocas a instalações nucleares, segundo informações divulgadas nesta terça-feira.
Nesse contexto, as vendas de armas a Taiwan funcionam como um dos pontos recorrentes de tensão entre Washington e Pequim.
Por enquanto, a informação confirmada é que os primeiros F-16V chegaram a Taiwan e que a China reiterou sua oposição ao fornecimento militar americano. O governo chinês não anunciou, nesta manifestação de 6 de outubro, uma nova medida específica contra os Estados Unidos relacionada à entrega dos caças.

