Ministério da Saúde
Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal intensificou o monitoramento dos serviços de saúde no Amazonas diante dos impactos das queimadas, da estiagem e da fumaça sobre a população. Segundo o Ministério da Saúde, 12 municípios já foram identificados como necessitados de algum tipo de suporte no Sistema Único de Saúde (SUS). A atuação inclui visitas técnicas, avaliação da estrutura de atendimento e medidas preventivas para garantir o abastecimento de insumos essenciais.

A mobilização ocorre após o governo estadual decretar situação de emergência em 36 municípios, em 10 de outubro, devido aos incêndios florestais. A medida busca fortalecer a resposta das autoridades diante do avanço das chamas e dos efeitos da poluição atmosférica sobre as comunidades afetadas.

O trabalho é realizado em parceria com as administrações estadual e municipais e conta com a participação da Força Nacional do SUS (FN-SUS). Uma equipe técnica foi enviada ao estado para avaliar as necessidades prioritárias da rede pública, identificar possíveis dificuldades no atendimento e orientar os gestores sobre as medidas necessárias para manter a assistência.

O levantamento considera a disponibilidade de profissionais, medicamentos e equipamentos, além das condições de transporte sanitário e dos fluxos de atendimento. A avaliação também abrange comunidades indígenas, que podem enfrentar dificuldades adicionais de deslocamento e acesso aos serviços de saúde devido às características geográficas da região.

Fumaça ameaça a saúde de grupos vulneráveis

A exposição à fumaça dos incêndios florestais pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares. Entre os sintomas associados à inalação de partículas poluentes estão tosse, irritação nos olhos e na garganta, falta de ar e agravamento de quadros preexistentes.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos que exigem atenção especial das autoridades sanitárias. Para essas populações, a exposição prolongada à poluição pode aumentar o risco de complicações e a necessidade de atendimento médico.

Diante desse cenário, as equipes federais trabalham com os gestores locais para dimensionar a demanda por serviços e preparar a rede de saúde para possíveis aumentos nos atendimentos. O objetivo é garantir que a população tenha acesso oportuno à assistência, mesmo diante das dificuldades provocadas pela emergência ambiental.

Abastecimento de oxigênio está entre as prioridades

Uma das principais frentes de atuação do Ministério da Saúde é acompanhar o consumo e a disponibilidade de oxigênio medicinal nas unidades de atendimento, incluindo os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

O insumo é fundamental para o tratamento de pacientes com dificuldades respiratórias, que podem se tornar mais frequentes durante períodos de intensa poluição atmosférica. A pasta também verifica a capacidade de fornecimento das empresas no Amazonas e em outras regiões do país para antecipar eventuais necessidades emergenciais.

Pelas regras de descentralização do SUS, a compra, o armazenamento e a distribuição de medicamentos e insumos são responsabilidades dos gestores locais. Entretanto, em situações de calamidade que coloquem vidas em risco, o governo federal pode contribuir com aquisições emergenciais e apoio logístico para assegurar o abastecimento.

Combate ao fogo continua no estado

Paralelamente às ações de saúde, o governo federal mantém operações para conter os incêndios florestais. O Ibama reforçou as equipes com brigadistas e aeronaves destinadas ao combate às chamas, inclusive em áreas de difícil acesso.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente em 14 de outubro, o Ibama havia extinguido 303 focos de incêndio no Amazonas. A atuação envolve também ações de prevenção, fiscalização e monitoramento para reduzir a propagação do fogo.

A crise ambiental preocupa também por seus efeitos sobre o funcionamento cotidiano das cidades. A fumaça pode comprometer a qualidade do ar, limitar atividades ao ar livre e aumentar a pressão sobre os serviços públicos, especialmente nas localidades próximas aos focos de incêndio.

Monitoramento deve orientar novas medidas

O diagnóstico elaborado pela Força Nacional do SUS servirá de base para definir as necessidades de cada município e dimensionar o apoio federal. Dependendo da situação encontrada, as medidas poderão incluir orientação técnica, mobilização de profissionais especializados e estruturas temporárias de atendimento.

O Ministério da Saúde busca, com a atuação conjunta entre União, estado e municípios, evitar interrupções na assistência e garantir recursos para atender à população durante a emergência.

A evolução dos incêndios e das condições atmosféricas será determinante para as próximas decisões. Enquanto persistirem a estiagem e a presença de fumaça, a continuidade do monitoramento e a proteção dos grupos mais vulneráveis serão essenciais para reduzir os riscos à saúde dos amazonenses.