A Força Aérea Brasileira (FAB)
A Força Aérea Brasileira (FAB) Frame Fab/Divulgação

A Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou nesta segunda-feira (12) operações aéreas para combater incêndios florestais no Amazonas, diante do aumento expressivo dos focos de fogo no estado. A ação utiliza aeronaves KC-390 Millennium, capazes de transportar grandes volumes de água, e integra uma mobilização federal para reforçar o trabalho das equipes em terra.

A primeira missão ocorreu durante a manhã, com um voo destinado ao reconhecimento das áreas atingidas e à preparação do sistema de lançamento de água. A programação prevê, em média, três lançamentos diários, conforme as condições operacionais e as necessidades do combate às chamas.

O KC-390 empregado diretamente na operação utiliza um Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios, que permite lançar até 12 mil litros de água pressurizada em uma única passagem. Uma segunda aeronave foi mobilizada para dar suporte logístico às atividades.

O equipamento permite que as equipes ajustem as operações de acordo com a localização dos focos e as condições meteorológicas. A direção do vento, a temperatura e a movimentação das chamas são fatores que influenciam o planejamento dos voos e a precisão dos lançamentos.

Segundo a FAB, a tecnologia da aeronave possibilita inserir informações sobre os incêndios no sistema de bordo e atualizar os parâmetros da operação durante o voo. O objetivo é concentrar a água nos pontos identificados e ampliar a eficiência do combate aéreo.

Incêndios aumentaram no início de outubro

O reforço ocorre em um cenário de agravamento das queimadas. Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), indicam que o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio entre 1º e 10 de outubro de 2026. No mesmo intervalo do ano passado, foram contabilizados 372 registros, o que representa um aumento de aproximadamente 271%.

Diante da situação, 36 municípios amazonenses tiveram a situação de emergência reconhecida pelo governo federal. A medida permite ampliar o acesso a recursos destinados às ações de resposta e assistência às localidades afetadas.

A fumaça produzida pelos incêndios também preocupa as autoridades sanitárias e ambientais, devido à deterioração da qualidade do ar e aos possíveis impactos sobre a saúde da população. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos que podem apresentar maior vulnerabilidade à exposição à fumaça.

Mobilização reúne aeronaves e brigadistas

A operação federal não se limita aos aviões KC-390. O conjunto de recursos mobilizados inclui aeronaves Air Tractor, helicópteros e uma aeronave de apoio logístico, além de 290 brigadistas federais que atuam no estado.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também mantém equipes envolvidas no combate aos incêndios. Segundo balanço divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente, desde o início da temporada de queimadas, o órgão havia extinguido 282 incêndios no Amazonas e continuava combatendo outros oito focos ativos na atualização de segunda-feira.

São Paulo também enviou profissionais para apoiar as ações locais, em uma iniciativa de cooperação entre os governos. A atuação conjunta busca ampliar a capacidade de resposta e proteger as comunidades e áreas florestais ameaçadas.

As autoridades afirmam que a permanência das aeronaves e das equipes dependerá da evolução dos incêndios e das necessidades operacionais. Além do combate direto às chamas, a prevenção de novos focos e a fiscalização de atividades que utilizam fogo são consideradas essenciais para reduzir os danos ambientais.

O resultado da operação dependerá da integração entre os recursos aéreos, os brigadistas em terra e os órgãos responsáveis pelo monitoramento. Enquanto persistirem as condições favoráveis à propagação do fogo, o estado continuará sob atenção das equipes de emergência.