Amazonas registra 540 focos de incêndio em 48 horas e tem emergência reconhecida em 36 municípios
Governo federal reconheceu emergência em 36 municípios, mobilizou brigadistas e aeronaves, enquanto autoridades alertam para os riscos da fumaça à saúde da população.

O aumento das queimadas agrava a crise ambiental e a poluição do ar em Manaus. O ministro do Meio Ambiente atribui os incêndios a ações humanas intencionais; a investigação sobre responsabilidades cabe às autoridades competentes.
O Amazonas registrou 540 focos de calor em dois dias, em uma escalada de incêndios que levou o governo federal a reconhecer a situação de emergência em 36 municípios. Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), citados pela CartaCapital em 12 de outubro, indicam que o volume detectado em 48 horas equivale a mais da metade dos 874 focos registrados em todo o mês de outubro de 2025. A fumaça também comprometeu a qualidade do ar em Manaus, onde os níveis de material particulado chegaram a patamares classificados como péssimos.
O sábado, 10 de outubro, concentrou 494 focos, o maior número diário registrado no estado desde o início do mês, segundo a mesma reportagem. No domingo, ministros do governo federal sobrevoaram áreas atingidas e observaram incêndios em regiões florestais de difícil acesso. A situação mobilizou órgãos federais para reforçar o combate ao fogo e responder aos impactos sobre a população.
Os números citados nesta matéria seguem a série de 48 horas atribuída ao painel Queimadas do Inpe pela CartaCapital. Não são combinados com outros totais mensais divulgados por fontes diferentes, cujos períodos e critérios de apuração podem não ser equivalentes.
Governo aponta ação humana
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que os incêndios têm origem humana e avaliou que parte das ações pode ter sido praticada deliberadamente para degradar a floresta e preparar áreas para desmatamento. A declaração expressa a avaliação do ministro sobre a origem do fogo; a responsabilização de pessoas específicas depende de apuração e provas.
O combate às queimadas na Amazônia envolve obstáculos logísticos importantes. Focos em áreas remotas podem ser difíceis de alcançar por terra, o que torna necessário coordenar brigadistas, aeronaves e equipes de diferentes órgãos. O avanço simultâneo de vários incêndios também aumenta a pressão sobre os recursos disponíveis.
O reconhecimento federal da emergência em 36 municípios permite que as administrações locais busquem apoio e recursos conforme os procedimentos aplicáveis. A medida ocorre em meio à necessidade de reforçar as operações e enfrentar os efeitos da fumaça sobre a saúde.
Fumaça afeta Manaus

A crise não se limita às áreas de floresta. Em Manaus, a fumaça provocada pelas queimadas reduziu a qualidade do ar e levou a medidas de precaução. Segundo a Folha de S.Paulo, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas registrou, na manhã de sábado, concentração de material particulado de 209 microgramas por metro cúbico. Na sexta-feira, o indicador havia chegado a 196,4 microgramas por metro cúbico.
A reportagem explica que a qualidade do ar é considerada boa quando o índice de referência está em até 25 microgramas por metro cúbico. A comparação evidencia a dimensão do problema: as concentrações registradas na capital estavam muito acima desse patamar. A prefeitura havia suspendido atividades em escolas e órgãos municipais na sexta-feira, e universidades também interromperam atividades diante da fumaça. A Defesa Civil enviou alertas à população, recomendando reduzir a exposição e usar máscaras ao sair.
A inalação de partículas finas pode prejudicar o sistema respiratório, especialmente em crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis. O risco depende, entre outros fatores, da concentração de poluentes e do tempo de exposição. Por isso, a qualidade do ar é uma dimensão urgente da resposta, paralelamente ao combate direto aos incêndios.
Resposta federal e desafios
O Ministério do Meio Ambiente informou que o Ibama mantinha equipes mobilizadas e anunciou reforços, incluindo seis aeronaves — quatro aviões para lançamento de água e dois helicópteros — e 290 brigadistas. A atuação precisa combinar resposta emergencial, monitoramento dos focos e prevenção de novas queimadas.
O episódio também ocorre após controvérsias sobre a coordenação entre os governos estadual e federal. Em informações publicadas anteriormente, o Ministério do Meio Ambiente afirmou que o Amazonas havia dispensado uma equipe de apoio em setembro, depois de chuvas contribuírem para reduzir os focos naquele momento. O governo estadual, por sua vez, contestou aspectos da resposta federal. A divergência evidencia a importância de esclarecer responsabilidades e garantir coordenação quando a situação se agrava.
A proibição estadual do uso do fogo, anunciada em setembro por 120 dias, é outra medida de contenção. Sua eficácia depende de fiscalização, capacidade operacional e investigação de eventuais infrações. O aumento recente dos focos mostra que decretos e mobilizações precisam ser acompanhados de ações sustentadas no território.
O quadro reúne, portanto, três urgências: conter o avanço das chamas, proteger a saúde da população exposta à fumaça e apurar as causas dos incêndios. Sem um balanço consolidado posterior às medidas de emergência, não é possível afirmar que o fogo esteja controlado ou quantificar o resultado final das operações.

