Manaus registra pior qualidade do ar pelo sétimo dia consecutivo em meio a queimadas no Amazonas
Manaus registra pior qualidade do ar pelo sétimo dia consecutivo em meio a queimadas no Amazonas IBTimes Brasil

Estado tem 36 municípios em emergência e cerca de 1,6 mil focos de calor nos primeiros 14 dias de outubro; fumaça levou à suspensão de aulas em unidades da rede municipal e instituições de ensino.

Manaus registrou nesta quarta-feira (14) a pior qualidade do ar do Brasil pelo sétimo dia consecutivo, segundo a plataforma internacional IQAir, enquanto a fumaça das queimadas continuava a afetar a capital amazonense. No estado, 36 dos 62 municípios estavam em situação de emergência, e os registros de focos de calor nos primeiros 14 dias de outubro chegaram a cerca de 1,6 mil, mais de 270% acima dos 473 contabilizados no mesmo período de 2025.

O aumento dos focos ocorre em um cenário de fumaça persistente sobre a região amazônica. Parte da poluição que chega a Manaus pode ser transportada de outras áreas, de modo que a qualidade do ar na capital não depende apenas dos incêndios registrados dentro dos limites municipais. A combinação entre queimadas, condições atmosféricas e dispersão dos poluentes contribui para episódios de concentração elevada de partículas no ar.

A situação levou à suspensão de aulas em unidades da rede municipal de Manaus e em instituições de ensino, entre elas a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), conforme a cobertura local. As decisões procuram reduzir a exposição de estudantes e trabalhadores à fumaça, especialmente em atividades que exigem deslocamento ou permanência ao ar livre.

A poluição causada por incêndios florestais contém partículas finas capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse e agravamento de problemas respiratórios, com maior risco para crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes. A classificação da qualidade do ar pode variar conforme o local e o horário da medição; por isso, recomendações de saúde devem considerar os boletins oficiais e as condições específicas de cada área.

Os números de combate divulgados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostram que a operação federal segue em andamento. Segundo nota do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o órgão havia extinguido 292 incêndios no Amazonas desde o início da temporada e continuava atuando contra outros oito focos ativos. A informação substitui o balanço anterior que apontava 229 incêndios extintos e 20 ativos.

Os dados de focos de calor e os números de incêndios extintos medem coisas diferentes. Um foco de calor é um registro detectado por satélite que pode indicar uma queimada; não corresponde necessariamente a um incêndio individual confirmado nem permite medir diretamente a área queimada. Já o balanço de incêndios combatidos se refere às ocorrências acompanhadas pelas equipes. Por isso, as cifras não devem ser somadas ou comparadas como se representassem a mesma unidade.

O agravamento da situação também recoloca em pauta a prevenção e a fiscalização. O combate direto aos incêndios precisa ser acompanhado de monitoramento, responsabilização por queimadas ilegais e ações de prevenção, sobretudo em períodos de maior risco. Ainda assim, os números disponíveis não permitem atribuir cada foco a uma causa específica ou afirmar que todos tenham origem criminosa.

Com escolas afetadas e fumaça persistente, a crise tem consequências imediatas para a rotina da população. A evolução dependerá tanto das condições meteorológicas quanto da capacidade de controlar os incêndios em atividade. Até que os índices melhorem, acompanhar os boletins locais de qualidade do ar e seguir as orientações das autoridades de saúde continua sendo essencial.