Pesquisa Datafolha aponta caminhos distintos para Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da disputa
Pesquisa divulgada em 16 de outubro indica empate técnico, rejeição elevada e eleitorado majoritariamente decidido antes da votação de 25 de outubro.

A corrida presidencial brasileira entra em uma fase decisiva com desafios diferentes para os dois candidatos que disputarão o segundo turno em 25 de outubro. A mais recente pesquisa Datafolha mostra que Flávio Bolsonaro (PL) precisa conter a perda de apoio registrada nos últimos dias, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o desafio de conquistar novos eleitores para transformar a aproximação nas intenções de voto em vantagem eleitoral.
Divulgado em 16 de outubro, o levantamento indica que Flávio aparece com 47% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Na pesquisa anterior, realizada na semana passada, o senador tinha 49%, enquanto o presidente permanecia com 45%. A diferença, portanto, caiu de quatro para dois pontos percentuais, configurando empate técnico dentro da margem de erro.
Considerando apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Flávio registra 51%, ante 49% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os números indicam uma disputa apertada, sem permitir afirmar que um dos candidatos tenha vantagem estatisticamente consolidada.
A pesquisa foi realizada presencialmente nos dias 13 e 14 de outubro, com 2.520 eleitores de 16 anos ou mais, em 153 municípios brasileiros. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00466/2026, com nível de confiança de 95%.
Flávio precisa interromper a queda
Para o candidato do PL, o principal desafio é evitar que a redução das intenções de voto se transforme em uma tendência persistente. A queda de dois pontos percentuais ocorreu em um momento em que a campanha entra na etapa final, na qual cada movimento pode influenciar a percepção dos eleitores.
Os dados sugerem, porém, que os votos perdidos por Flávio não migraram automaticamente para Lula. Parte dos entrevistados passou a declarar voto branco ou nulo, enquanto outros permaneceram indecisos. Esses grupos tornam o cenário mais complexo para ambos os candidatos.
A pesquisa também aponta que 54% dos entrevistados consideram Flávio o favorito para vencer a eleição, enquanto 37% acreditam que Lula será reeleito. Outros 10% não souberam responder. A percepção de favoritismo, entretanto, não equivale à intenção de voto e pode mudar durante a campanha.
Lula precisa ampliar sua base eleitoral
Para Lula, a principal dificuldade é converter a aproximação nas pesquisas em votos efetivos. Mesmo com a redução da distância para o adversário, o presidente precisa atrair eleitores que optaram por outras candidaturas no primeiro turno ou que ainda consideram votar em branco ou nulo.
Entre os eleitores que votaram em Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema (Novo) na primeira votação, 46% declararam intenção de votar em Flávio no segundo turno, enquanto 27% preferiam Lula. Outros 23% optavam por branco ou nulo, e 5% permaneciam indecisos, segundo os dados do Datafolha.
Esse grupo representa uma oportunidade para Lula reduzir a vantagem do adversário, mas a transferência de votos não é automática. Os candidatos derrotados no primeiro turno possuem bases eleitorais heterogêneas, com diferentes posições sobre economia, segurança pública, costumes e políticas sociais.
A campanha petista também precisa lidar com a avaliação do governo e com a resistência de parte do eleitorado. Uma pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro apontou que 41% avaliavam negativamente a administração Lula, enquanto 35% a consideravam ótima ou boa e 23% a classificavam como regular.
Rejeição elevada mantém disputa polarizada
Outro fator relevante é a rejeição aos candidatos. Segundo o levantamento, 46% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Lula de maneira alguma, enquanto 44% disseram o mesmo sobre Flávio Bolsonaro. Os índices são próximos e indicam que ambos enfrentam dificuldades para conquistar eleitores que rejeitam suas candidaturas.
Apesar disso, a maioria do eleitorado já demonstra convicção na escolha. Cerca de 93% dos entrevistados afirmaram estar totalmente decididos sobre o voto no segundo turno. Entre os apoiadores de Flávio, o percentual chegou a 95%; entre os eleitores de Lula, a 94%. Apenas 7% do total admitiram a possibilidade de mudar de opção.
Os números sugerem que a disputa dependerá tanto da mobilização dos eleitores já alinhados quanto da capacidade de atrair os segmentos ainda disponíveis. Para Flávio, preservar a vantagem e evitar novas perdas será fundamental. Para Lula, ampliar o apoio fora de sua base tradicional poderá ser decisivo.
Com a votação marcada para 25 de outubro, os resultados indicam uma eleição competitiva, na qual pequenas mudanças de comportamento podem influenciar o desfecho. A pesquisa, entretanto, representa um retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas, e não uma previsão definitiva do resultado das urnas.

