Em meio à disputa eleitoral, Lula busca apoio evangélico com carta sobre família e segurança
Documento publicado por uma frente ligada ao segmento aborda segurança, saúde, renda, liberdade religiosa e redução da jornada de trabalho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, divulgou nesta quarta-feira (14 de outubro de 2026) uma carta dirigida às famílias evangélicas brasileiras, em uma nova iniciativa para ampliar o diálogo com esse segmento do eleitorado. O documento foi publicado nas redes sociais pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e aborda temas como combate às apostas on-line, redução da jornada de trabalho, segurança pública, saúde, renda e liberdade religiosa.
Na mensagem, Lula afirma respeitar os cristãos e todas as formas de crença. O presidente procura aproximar sua trajetória política das preocupações familiares e sociais da comunidade evangélica e pede aos leitores que busquem "discernimento" antes de decidir o voto. A carta também destaca a importância da oração e da participação eleitoral consciente.
Um dos principais assuntos abordados é o combate às apostas esportivas pela internet, conhecidas como bets. Lula afirma que essas atividades podem prejudicar famílias e comprometer a renda doméstica. Ao mencionar o tema, o presidente apresenta as medidas de enfrentamento às apostas como parte de uma agenda de proteção social.
Outro ponto central é a defesa de dois dias de descanso semanal para os trabalhadores. O presidente relaciona a proposta de acabar com a escala 6x1 à possibilidade de ampliar o tempo dedicado à convivência familiar, ao lazer e às atividades religiosas. Segundo o documento, uma jornada menos concentrada no trabalho permitiria aos fiéis participar mais frequentemente dos cultos e de outras atividades nas igrejas.
A carta foi divulgada no mesmo dia em que estava prevista a votação, no Senado, da proposta de emenda à Constituição relacionada à redução da jornada de trabalho. A medida figura entre as bandeiras defendidas por Lula durante a campanha eleitoral.
Na área da segurança pública, o presidente afirma estar comprometido com o combate ao crime organizado, à violência contra as mulheres e a outras formas de violência. Também menciona a proteção de crianças e adolescentes, defendendo ações que reduzam os riscos à população e preservem vidas.
A saúde pública e a situação econômica das famílias aparecem entre os demais compromissos citados. Lula promete trabalhar para melhorar os serviços de saúde, ampliar o poder de compra por meio do aumento real da renda e preservar o meio ambiente. O presidente também rejeita acusações de que suas políticas sejam contrárias às igrejas ou à liberdade religiosa.
A iniciativa ocorre em um cenário de disputa por apoio entre eleitores evangélicos, grupo no qual Lula enfrenta resistência. Pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro apontou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do petista entre os evangélicos no primeiro turno, com 46% das intenções de voto, contra 27% de Lula. Os números refletem o cenário registrado naquele levantamento e não devem ser interpretados como resultado definitivo da eleição.
A carta faz parte de uma estratégia mais ampla de aproximação com comunidades cristãs. Além da divulgação do documento, aliados do presidente, entre eles o vice-presidente Geraldo Alckmin e o advogado-geral da União, Jorge Messias, têm participado de iniciativas voltadas ao público religioso.
Com a mensagem, Lula tenta associar suas propostas sociais a preocupações cotidianas das famílias evangélicas. O efeito eleitoral da iniciativa, contudo, dependerá da recepção dos eleitores e da capacidade da campanha de transformar o diálogo em apoio nas urnas.

