Meta atribui queda no alcance de publicações de Lula
Meta atribui queda no alcance de publicações de Lula a falhas técnicas e nega favorecimento eleitoral IBTimes Brasil

A empresa respondeu a questionamentos do TSE sobre a distribuição de conteúdos nas redes sociais. O PT sustenta que os perfis dos candidatos tiveram desempenho desigual, mas os números apresentados pela campanha não foram verificados de forma independente.

A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, atribuiu a problemas técnicos a redução no alcance de publicações ligadas à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e negou ter favorecido o candidato Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação foi apresentada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar que a empresa prestasse esclarecimentos sobre possíveis diferenças na distribuição de conteúdos políticos. O episódio acrescenta uma disputa sobre o funcionamento das plataformas digitais à campanha para o segundo turno presidencial de 25 de outubro.

O ministro Marco Aurélio Bellizze havia dado à empresa prazo de 48 horas para explicar se publicações e perfis relacionados à campanha de Lula sofreram restrições, redução de alcance, exclusão de recomendações ou bloqueios geográficos. A decisão também solicitou informações sobre registros de moderação, anúncios e critérios técnicos utilizados pela plataforma.

A Meta contestou a acusação de tratamento desigual. Em resposta divulgada pela imprensa, afirmou que as falhas mencionadas não atingiram exclusivamente o Brasil nem contas específicas. A empresa também declarou que cumpre as normas eleitorais e está comprometida com a isonomia entre os candidatos. Trata-se da versão da companhia sobre o funcionamento de seus sistemas; ela não equivale, por si só, a uma auditoria independente de todas as recomendações e métricas envolvidas.

A coligação de Lula acionou o TSE e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), alegando que publicações relacionadas à campanha teriam sido distribuídas de forma desigual. Segundo um levantamento da Secretaria Nacional de Comunicação do PT citado pela Gazeta do Povo, a página de Flávio Bolsonaro apresentava engajamento médio 2,96 vezes maior que a de Lula, embora tivesse 17,2% menos seguidores.

Esses números são dados apresentados pela campanha petista. Sem acesso aos registros completos das plataformas, à metodologia detalhada e a uma avaliação independente, não é possível concluir que a diferença decorra de intervenção deliberada da Meta. Engajamento e alcance também não são medidas idênticas: uma publicação pode atingir menos pessoas, mas receber mais interações proporcionalmente, dependendo do conteúdo, do público e da distribuição.

A campanha de Lula sustenta que a suposta redução de alcance prejudica a divulgação de suas propostas e dificulta a comunicação com os eleitores. A Meta, por outro lado, rejeita a acusação de favorecimento a Flávio e atribui os problemas a falhas técnicas que, segundo a empresa, não ficaram restritas a uma candidatura ou ao território brasileiro.

O papel do TSE e da ANPD

O pedido do TSE busca obter informações que estão sob controle da própria plataforma. A determinação inclui esclarecimentos sobre restrições aplicadas desde agosto de 2026, critérios de contagem de visualizações, registros de moderação e medidas relacionadas à conta de anúncios da campanha. O ministro também determinou a preservação de registros relevantes para a análise do caso.

A ANPD foi acionada pela campanha, mas o simples encaminhamento de uma reclamação não significa que a agência tenha confirmado uma infração. A autoridade poderá avaliar os aspectos que estejam dentro de suas competências, especialmente os relacionados ao tratamento de dados pessoais, conforme os procedimentos aplicáveis.

A disputa evidencia uma dificuldade de fiscalização: os sistemas de recomendação e distribuição de conteúdos são administrados pelas plataformas, enquanto campanhas, eleitores e autoridades externas nem sempre têm acesso aos dados necessários para reproduzir os resultados. Isso torna importante distinguir diferenças estatísticas observadas de evidências de manipulação intencional.

Para concluir se houve tratamento desigual, será necessário avaliar os dados técnicos apresentados pela Meta, a metodologia utilizada pelo PT e eventuais análises independentes. O fato de a empresa ter reconhecido problemas técnicos não prova, isoladamente, que esses problemas tenham afetado as campanhas de maneira equivalente. Da mesma forma, diferenças de engajamento não comprovam automaticamente favorecimento político.

Até que a análise seja concluída, o caso permanece como uma controvérsia entre a campanha petista e a plataforma, sob questionamento da Justiça Eleitoral. O resultado poderá contribuir para esclarecer como as redes trataram os conteúdos políticos, mas ainda não há base para afirmar que a alegação de manipulação tenha sido comprovada.