Colheita de soja
Colheita de soja REUTERS/Diego Vara

A produção de soja do Paraná deverá alcançar 22,75 milhões de toneladas na safra 2026/2027, representando um crescimento de 4% em comparação com o ciclo anterior. A estimativa foi divulgada na quinta-feira (29) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Caso seja confirmada, a projeção representará um novo recorde para a produção estadual da oleaginosa.

O levantamento considera uma área de cultivo estimada em 5,74 milhões de hectares. A produtividade média prevista é de aproximadamente 3.961 quilos por hectare, resultado que reflete um pequeno ajuste positivo em relação à estimativa anterior, divulgada em setembro.

Apesar da perspectiva favorável, o avanço do plantio e as condições climáticas continuam sendo fatores importantes para determinar o resultado final da safra. Até o levantamento mais recente, 62% da área prevista já havia sido semeada. Entre as lavouras implantadas, 88% apresentavam boas condições, enquanto 11% estavam em situação mediana e 1% em condições consideradas ruins.

O ritmo de plantio, que inicialmente avançava de maneira acelerada, perdeu força em algumas regiões devido ao excesso de chuvas. As precipitações dificultaram a entrada de máquinas nas propriedades rurais e provocaram problemas localizados de erosão e encharcamento do solo.

Segundo especialistas do Deral, a continuidade das chuvas pode comprometer o desenvolvimento das plantas, reduzir a exposição das lavouras à luz solar e aumentar os custos com manejo e controle de doenças. Por esse motivo, embora a projeção atual indique crescimento da produção, o resultado ainda poderá sofrer alterações ao longo do ciclo agrícola.

Excesso de chuvas exige atenção dos produtores

De acordo com o Deral, as condições meteorológicas já provocaram impactos mais expressivos nas culturas de inverno. Para a soja, entretanto, ainda existe tempo para ajustes no manejo e, em determinadas situações, até mesmo para o replantio de áreas prejudicadas.

O especialista Edmar Gervásio, do departamento, destacou que as estimativas ainda são preliminares. A continuidade das precipitações poderá provocar uma revisão negativa da produtividade caso as condições das lavouras piorem nas próximas semanas.

A preocupação também está relacionada à influência do fenômeno climático El Niño, que pode alterar o regime de chuvas no Sul do Brasil. O excesso de precipitação em determinadas regiões do Paraná aumenta os riscos de erosão, dificulta os trabalhos agrícolas e pode comprometer o desenvolvimento uniforme das plantas.

Paraná mantém posição de destaque na produção nacional

A projeção reforça a importância do Paraná no agronegócio brasileiro. Segundo as primeiras estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado tem potencial para ocupar a segunda posição entre os maiores produtores nacionais de soja na safra 2026/2027, ficando atrás apenas de Mato Grosso.

Enquanto a oleaginosa apresenta perspectiva positiva, outras culturas enfrentam dificuldades. A produção paranaense de grãos de inverno está estimada em 2,84 milhões de toneladas, redução de 28% em relação a 2025.

Para o trigo, a previsão é de uma colheita de 1,9 milhão de toneladas, queda de 34% em comparação com as 2,88 milhões de toneladas registradas no ano passado. A redução está relacionada à diminuição da área cultivada e às perdas de produtividade provocadas pelas condições climáticas desfavoráveis.

Já a primeira safra de milho 2026/2027 tem produção estimada em 4,08 milhões de toneladas, com plantio em aproximadamente 94% da área prevista.

Perspectivas para o agronegócio

O desempenho da soja será acompanhado de perto por produtores, cooperativas e agentes do mercado agrícola, considerando a importância da cultura para as exportações brasileiras e para o abastecimento das indústrias de alimentos e biocombustíveis.

A confirmação de uma safra recorde dependerá principalmente da evolução das condições climáticas, da produtividade das lavouras e da conclusão do plantio. Mesmo com as preocupações relacionadas ao excesso de chuvas, a estimativa atual mantém uma perspectiva de crescimento para a produção paranaense.