Leilão de energia mobiliza R$ 8,9 bilhões e prevê expansão da rede elétrica em sete estados
Certame na B3 reúne oito lotes, prevê 1.866 quilômetros de novas linhas e pode gerar cerca de 20,3 mil empregos diretos e indiretos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza nesta sexta-feira (30) um novo leilão de transmissão de energia elétrica, com previsão de R$ 8,9 bilhões em investimentos na infraestrutura do setor. O certame acontece na sede da B3, em São Paulo, a partir das 10h, e contempla projetos distribuídos por sete estados brasileiros. A expectativa do governo federal é ampliar a capacidade de transporte de eletricidade, reforçar a segurança do abastecimento e criar condições para a conexão de novos empreendimentos de geração de energia.
O Leilão de Transmissão nº 4/2026 prevê a concessão de oito lotes de empreendimentos, que incluem a construção de 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e a continuidade da operação de 483 quilômetros de estruturas existentes. Os projetos também contemplam instalações com capacidade de transformação de 12.694 megavolt-ampères (MVA), além de quatro compensações síncronas, equipamentos utilizados para contribuir com a estabilidade e o controle de tensão do sistema elétrico.
As obras serão realizadas na Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. Segundo estimativas da Aneel, a implantação dos empreendimentos deverá gerar aproximadamente 20,3 mil empregos diretos e indiretos, movimentando diferentes segmentos da cadeia produtiva, incluindo construção civil, engenharia, fabricação de equipamentos e serviços especializados.
Os contratos de concessão terão duração de 30 anos. Os prazos previstos para a conclusão das obras e entrada em operação comercial variam entre 42 e 60 meses, contados a partir da assinatura dos contratos, programada para fevereiro de 2027.
Maior empreendimento concentra R$ 4,1 bilhões
O maior projeto do leilão está concentrado no lote 4, com investimentos estimados em R$ 4,1 bilhões. O empreendimento abrange instalações em Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná, incluindo a construção de aproximadamente 1.167 quilômetros de linhas de transmissão e ampliações de subestações. O objetivo é melhorar o atendimento elétrico da região e aumentar a capacidade de escoamento da energia produzida.
Esse lote foi dividido em dois sublotes, identificados como 4A e 4B, com investimentos previstos de aproximadamente R$ 2,2 bilhões e R$ 1,9 bilhão, respectivamente. A divisão permite que as empresas apresentem propostas pelo empreendimento completo ou por partes, conforme as regras estabelecidas pela agência reguladora.
Em São Paulo, os projetos incluem a construção da subestação Santana e conexões com linhas existentes, com investimento estimado em R$ 1,07 bilhão. A iniciativa busca reforçar o fornecimento de energia para a região metropolitana e atender ao crescimento da demanda na capital paulista.
No Paraná, dois empreendimentos somam aproximadamente R$ 1,46 bilhão em investimentos, com intervenções destinadas à região metropolitana de Curitiba e às áreas Oeste e Sudoeste do estado. Já na Bahia e na Paraíba, as obras deverão ampliar a capacidade de atendimento elétrico e fortalecer a infraestrutura de transmissão no Nordeste.
Em Rondônia, o projeto prevê R$ 753,2 milhões para a instalação de três compensadores síncronos na subestação Coletora Porto Velho. Os equipamentos contribuirão para melhorar a estabilidade e a capacidade de resposta do sistema elétrico que atende Rondônia e Acre diante de variações operacionais e desafios climáticos.
Critérios de participação e importância para o setor
A seleção das empresas será realizada pelo critério de menor Receita Anual Permitida (RAP), remuneração que as concessionárias recebem pela disponibilidade dos serviços de transmissão de energia. Vencerão as propostas que apresentarem os menores valores, respeitando as condições técnicas e financeiras estabelecidas no edital.
O leilão integra a estratégia nacional de expansão do Sistema Interligado Nacional (SIN), responsável por conectar as diferentes regiões brasileiras e transportar eletricidade dos centros de geração até os principais mercados consumidores.
A ampliação da rede é considerada fundamental diante do crescimento das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, cuja produção depende de condições climáticas e da localização dos empreendimentos. Sem infraestrutura suficiente, parte da energia gerada pode não ser transportada adequadamente até os centros de consumo.
Com os novos projetos, o governo pretende melhorar a integração entre geração e distribuição, reduzir limitações da infraestrutura existente e preparar o sistema elétrico para o aumento da demanda nos próximos anos.
O resultado do certame deverá indicar o interesse dos investidores privados no setor de transmissão e estabelecer os responsáveis pela execução das obras. A expectativa é que os empreendimentos contribuam para fortalecer a infraestrutura energética brasileira e ampliar a segurança do fornecimento em diferentes regiões do país.

