Echoenergia avalia entrada no setor hidrelétrico e apoia disputa por concessões
Empresa do grupo Equatorial vê usinas com reservatórios como complemento estratégico à geração eólica e solar e defende mais concorrência no setor.

A Echoenergia, empresa de geração de energia ligada ao grupo Equatorial, estuda participar de futuros leilões de usinas hidrelétricas caso o governo federal decida relicitar concessões vencidas ou próximas do fim. A iniciativa faz parte da estratégia de diversificação dos negócios da companhia, atualmente concentrados na geração de eletricidade a partir de fontes eólica e solar.
Em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN Brasil, o presidente-executivo da empresa, Liu Aquino, afirmou que a companhia pretende analisar as oportunidades caso as usinas sejam submetidas a novas licitações. O executivo também defendeu a realização dos leilões como uma forma de ampliar a concorrência e reduzir a concentração de ativos hidrelétricos nas mãos de poucos grupos empresariais.
O posicionamento ocorre em meio à discussão conduzida pelo Ministério de Minas e Energia (MME) sobre o futuro das concessões de usinas hidrelétricas que já venceram ou estão próximas do vencimento. A pasta abriu uma consulta pública para discutir critérios de prorrogação dos contratos ou realização de novos processos licitatórios.
A decisão do governo poderá redefinir a distribuição de ativos importantes para o sistema elétrico brasileiro e abrir espaço para a entrada de novos operadores no mercado.
Hidrelétricas podem complementar fontes renováveis
Segundo Aquino, a geração hidrelétrica apresenta características estratégicas para empresas que já operam com fontes renováveis variáveis, como a solar e a eólica. Usinas equipadas com reservatórios conseguem armazenar água e ajustar a produção de eletricidade conforme as necessidades do sistema, contribuindo para equilibrar a oferta e a demanda.
Essa flexibilidade pode ser especialmente importante nos períodos em que a geração solar diminui ou a produção eólica apresenta oscilações. A combinação de diferentes fontes permite diversificar a carteira de geração e administrar melhor as variações na disponibilidade de energia.
A capacidade de modulação, entretanto, depende do volume de água disponível, das condições climáticas e das regras operacionais e ambientais aplicáveis a cada empreendimento.
Para a Echoenergia, avaliar oportunidades no segmento hídrico representaria uma ampliação de sua atuação para além dos parques eólicos e solares. A eventual entrada dependerá das condições econômicas das concessões e do modelo de disputa definido pelo governo.
Concentração de mercado motiva defesa de leilões
Aquino argumenta que a concentração da geração hidrelétrica em poucos grupos empresariais justifica a realização de novas licitações. Entre as principais companhias do segmento estão a Axia Energia, com cerca de 44 gigawatts (GW) de capacidade hidrelétrica, a Engie, com 10,7 GW, a Auren, com 8,9 GW, e a Copel, com 7,3 GW.
Na avaliação do executivo, a abertura de concorrência pode permitir uma distribuição mais ampla dos ativos e favorecer a entrada de investidores interessados em operar as usinas. Os pagamentos pelas concessões também poderiam gerar receitas para o poder público, com potencial de contribuir para a redução dos encargos que compõem as tarifas de energia.
O efeito sobre a concorrência e os preços, contudo, dependerá das regras estabelecidas para os leilões e de quem vencer as disputas. Sem mecanismos adequados, grandes grupos já estabelecidos também podem ampliar sua participação no mercado.
Empresas divergem sobre o futuro das concessões
A posição da Echoenergia se aproxima da defendida pela Copel e pela Axia Energia, que apoiam a realização de leilões para definir o futuro de concessões próximas do vencimento. A Engie, por sua vez, defende a possibilidade de prorrogar contratos mediante compromissos de investimento, como no caso da usina de Salto Santiago, no Paraná.
O governo terá de avaliar os argumentos relacionados à concorrência, à continuidade dos serviços, aos investimentos necessários e aos efeitos para os consumidores. A definição das regras será determinante para o interesse dos investidores e para o futuro da geração hidrelétrica no país.

