Operações de fusões, aquisições e dívida somam R$ 1 trilhão antes da eleição
Levantamento da Seneca Evercore mostra alta de 20% ante o período pré-eleitoral de 2022 e avanço de 6,4% nas fusões e aquisições.

Levantamento da Seneca Evercore aponta crescimento de 20% em relação aos 12 meses anteriores à eleição de 2022; o volume de M&A avançou 6,4% no período pré-eleitoral de 2026.
O mercado brasileiro de fusões e aquisições, além de operações de dívida e de capitais, movimentou R$ 1 trilhão entre outubro de 2025 e setembro de 2026, segundo levantamento da Seneca Evercore divulgado em 5 de outubro. O volume ficou 20% acima do registrado nos 12 meses que antecederam a eleição presidencial de 2022, indicando que as transações financeiras e empresariais mantiveram atividade durante a preparação para o pleito de 2026.
O comportamento contrasta com os ciclos eleitorais anteriores. Segundo os dados divulgados, o volume financeiro das fusões e aquisições caiu 1,8% nos 12 meses anteriores à eleição de 2018 e recuou 32,7% no período equivalente de 2022. Em 2026, o indicador de M&A registrou alta de 6,4%. A comparação trata do valor financeiro das operações, e não necessariamente do número de negócios concluídos.
O levantamento reúne operações de fusões e aquisições — conhecidas pela sigla em inglês M&A — e transações ligadas ao mercado de dívida e de capitais. O total de R$ 1 trilhão, portanto, não representa apenas compras e vendas de empresas, nem significa que todas as categorias cresceram na mesma proporção.
Daniel Wainstein, co-CEO da Seneca Evercore, afirmou que o mercado continuou operando apesar do calendário eleitoral. A declaração, publicada na cobertura do levantamento, expressa a avaliação do executivo sobre o ambiente de negócios; não demonstra, por si só, que a eleição tenha deixado de influenciar todas as decisões de investimento.
As operações empresariais são afetadas por diferentes fatores, entre eles o custo do crédito, a disponibilidade de financiamento, as perspectivas de crescimento e as condições de cada setor. O volume agregado ajuda a dimensionar a atividade do mercado, mas não permite identificar isoladamente a razão pela qual cada empresa decidiu comprar, vender ou captar recursos.
Outro indicador acompanhado por investidores é o CDS brasileiro de cinco anos, um contrato usado como referência para o custo de proteção contra o risco de inadimplência da dívida soberana. A marca de 111 pontos foi citada na cobertura do período, mas não deve ser apresentada como o menor nível vigente sem uma data de referência e uma checagem da série diária. A trajetória do CDS também não prova, isoladamente, que a eleição tenha sido a causa de sua variação.

