Brasil perde posições em ranking de inovação, com instituições entre os principais desafios
País aparece entre 139 economias avaliadas pela OMPI; São Paulo ocupa a 49ª posição entre os clusters de inovação do mundo.

País ficou em 53º lugar entre 139 economias no índice de 2026 da OMPI; São Paulo aparece como o 49º maior polo de inovação do mundo.
O Brasil ficou na 53ª posição entre 139 economias no Índice Global de Inovação de 2026, publicado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). O resultado representa uma posição abaixo da classificação de 2025 e mantém o país distante das primeiras colocações do levantamento internacional, que reúne indicadores de instituições, capital humano, infraestrutura, sofisticação de mercado e resultados tecnológicos e criativos. A OMPI confirma a colocação brasileira e ressalta que mudanças metodológicas e na disponibilidade de dados podem influenciar comparações de um ano para outro.
O índice não mede apenas a produção científica ou o número de empresas de tecnologia. Sua metodologia reúne aproximadamente 80 indicadores para avaliar as condições que permitem transformar recursos e conhecimento em inovação. Por isso, a posição geral deve ser interpretada como uma combinação de fatores institucionais, econômicos e tecnológicos, e não como uma medida isolada da qualidade de universidades, startups ou pesquisas brasileiras.
Entre os dados divulgados pela cobertura nacional, o pilar de instituições aparece como um dos pontos de maior perda de posição. Segundo os números publicados pelo Mercado & Consumo, o Brasil caiu do 82º para o 107º lugar nesse componente. A informação aponta para dificuldades relativas ao ambiente institucional avaliado pelo índice, mas não significa, por si só, que todos os indicadores relacionados a instituições tenham piorado na mesma proporção. A série detalhada desse componente precisa ser lida à luz dos critérios e da metodologia da edição de 2026.
São Paulo permanece entre os principais polos globais
O resultado nacional convive com uma presença brasileira entre os principais agrupamentos mundiais de inovação. O polo de São Paulo ficou em 49º lugar no ranking de clusters de inovação da OMPI, mantendo a posição registrada no ano anterior. Esses agrupamentos são avaliados a partir da concentração geográfica de atividades científicas e tecnológicas, incluindo patentes e publicações científicas. A colocação mostra a relevância de São Paulo no mapa internacional da inovação, mas não representa o desempenho de todas as regiões brasileiras.
A diferença entre a classificação do país e a do polo paulista também evidencia que o desempenho de um centro específico não se traduz automaticamente em resultados nacionais. A capacidade de difundir conhecimento, atrair investimentos e ampliar a atividade tecnológica depende de fatores que ultrapassam os grandes polos urbanos.
A inteligência artificial é outro elemento do cenário global de inovação e financiamento. A publicação Convergência Digital destacou que a IA concentrou 77% do capital de risco mundial no primeiro semestre de 2026. Esse número deve ser atribuído à publicação que o divulgou: não foi possível confirmá-lo, nesta verificação, em uma fonte primária independente com a mesma definição de capital de risco e o mesmo período de referência. A proporção, portanto, não deve ser apresentada como um dado diretamente extraído do relatório da OMPI.
O avanço dos investimentos em IA pode influenciar a competição internacional por empresas, pesquisadores e infraestrutura tecnológica. Para avaliar a posição brasileira nesse mercado, porém, é necessário distinguir o volume global de capital destinado à tecnologia dos recursos efetivamente captados por empresas brasileiras. O ranking da OMPI, por sua vez, oferece uma visão mais ampla das condições e dos resultados de inovação do país.

