Dólar cai abaixo de R$ 5 durante o pregão após resultado eleitoral, mas fecha praticamente na marca
Moeda norte-americana encerrou o pregão a R$ 5,0022, enquanto o Ibovespa disparou 7,70% e atingiu recorde histórico após a definição do segundo turno presidencial.

Moeda norte-americana chegou à região de R$ 4,95 durante a segunda-feira (5), recuou 4,12% no dia e encerrou os negócios a R$ 5,0022; foi a maior queda diária desde 2018
O dólar comercial caiu mais de 4% nesta segunda-feira (5), primeiro pregão após o resultado do primeiro turno das eleições de 2026, e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5 durante a sessão. A moeda norte-americana chegou a recuar para a região de R$ 4,95 e encerrou o dia cotada a R$ 5,0022, com baixa de 4,12%. Foi a maior queda diária registrada pela moeda desde 2018.
A diferença entre a mínima intradiária e o fechamento é importante para interpretar o resultado. Embora o dólar tenha efetivamente negociado abaixo de R$ 5 ao longo do dia, terminou praticamente sobre essa marca. Portanto, o resultado de 5 de outubro não representa um fechamento abaixo de R$ 5, mas uma forte queda que levou a moeda temporariamente para esse nível.
A movimentação aconteceu no mesmo dia em que o Ibovespa avançou 7,70% e fechou aos 206.911,89 pontos, também em recorde histórico. Os dois movimentos ocorreram depois de o primeiro turno presidencial definir Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como os candidatos que disputarão a segunda votação em 25 de outubro.
Uma reação concentrada no primeiro pregão
A queda do dólar foi particularmente intensa nas primeiras horas de negociação. Durante a manhã, a moeda chegou a registrar baixa superior a 4%, enquanto o Ibovespa avançava em ritmo acelerado.
Segundo a B3, por volta das 13h30 o dólar era negociado na casa dos R$ 4,98, enquanto o Ibovespa permanecia acima dos 208 mil pontos. A movimentação ocorreu simultaneamente à forte valorização de ações de bancos e de outras empresas brasileiras.
No fechamento, porém, parte da queda do dólar foi devolvida. A moeda terminou o dia a R$ 5,0022, ainda com recuo expressivo de 4,12%. O resultado representou a menor cotação de fechamento desde 21 de maio, quando a moeda havia terminado o pregão a R$ 5,0004, segundo o InfoMoney.
Relação com o cenário eleitoral
A reação dos ativos brasileiros foi registrada no primeiro pregão depois da votação. O resultado oficial do TSE colocou Flávio Bolsonaro com 47,03% dos votos válidos e Lula com 45,16%, levando a disputa presidencial para o segundo turno.
Analistas consultados pela imprensa financeira relacionaram a valorização do real à mudança das expectativas dos investidores diante do resultado eleitoral. Essas avaliações, porém, correspondem a interpretações de participantes do mercado. Não há uma única causa oficial determinada para a variação diária da moeda.
O cenário também envolveu outros ativos. Os juros futuros recuaram de maneira significativa, enquanto a Bolsa registrou uma alta superior a 7%. A combinação de queda do dólar, redução dos juros futuros e alta das ações formou o principal movimento dos mercados brasileiros no primeiro dia útil após a votação.
O acompanhamento nesta terça-feira
Na manhã desta terça-feira (6), o mercado passou a acompanhar se a valorização do real observada no dia anterior teria continuidade. O minidólar futuro encerrou a sessão de segunda-feira em forte queda, enquanto o dólar à vista terminou praticamente no limite de R$ 5.
A atenção dos investidores permanece voltada para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, além dos próximos indicadores econômicos e das declarações dos candidatos e de suas equipes econômicas.
Por enquanto, o dado mais concreto do início da semana é a magnitude da oscilação registrada em 5 de outubro: queda de 4,12% no dólar à vista, com passagem abaixo de R$ 5 durante o pregão e fechamento em R$ 5,0022.

